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A “inteligência” da Lagoa

A propósito da realização do evento Lagoa Smart City 2020 – Desafios das Cidades Inteligentes, em meados de Abril passado, onde estive presente, e após ler a notícia da Revista Smart Cities com a notícia, “Quem disse que não se pode ser Smart numa ilha?”, onde destaco algumas afirmações da autarca da Lagoa, como “numa visão mais social, a Lagoa atrai pelo seu potencial e pelo seu carácter reprodutivo, multiplicador e intergeracional, reflexo de uma política de desenvolvimento consolidado. Sob uma ótica mais tecnológica, a cidade é reflexo da aposta no comércio e produção de tecnologias, métodos de investigação inovadores que culminam na modernização da estrutura económica local”, e uma “cidade de todos e para todos, catalisadora de empresas inovadoras e empreendedores proactivos com projetos e atividades regionais, nacionais e internacionais”, reforça a autarca, apontando o futuro como “inclusivo, com um crescimento competitivo baseado na inovação, conhecimento e investigação”, mais boquiaberto fico, e passo a explicar o meu estado.

Então, a Sr.ª Presidente vai virar a Lagoa numa “cidade inteligente”, é que tem lá o Nonagon, então vamos virar a cidade para as tecnologias, conhecimento e investigação, implantação de empresas da área tecnológica na cidade, e mais um monte de panóplias científico tecnológicas a implantar, monitorizar. Ou seja, a autarca quer uma cidade do século XXI, mas esquece-se que tem problemas que vêm do século XX, mas em nome de uma “campanha disfarçada” a aproximar-se, há que fazer bonito e mostrar trabalho.

A Lagoa tem população para ser uma Smart City? Tem, mas em grandes situações a residir em habitações sobrelotadas, e algumas até um pouco degradadas, e onde existem tantas casas fechadas, ou terrenos que poderiam servir ao município para atenuar esse problema com construções para tal fim. A autarquia, visitou as freguesias em audição camarária, e porta aqui, telhas ali, janela acolá, o povo fica contente.

A Lagoa tem comércio que se possa virar para uma cidade tecnológica? Não. Na cidade subsistem algumas lojas de comércio tradicional que a muito custo com a crise vão resistindo.

A Lagoa quer ser “inteligente” mas vai ter que continuar, pelos vistos, a ser socorrida pelos Bombeiros de Ponta Delgada, como já mencionei em artigo anterior, o que para mim continua a ser de loucos.

Na cidade temos um autêntico “monstro”, a antiga fábrica do álcool, para ali ao abandono, a desmoronar-se; a orla costeira desde a Pousada da Juventude até ao Portinho de São Pedro, com intervenção prometida, mas sem obra feita; temos imensos habitantes desempregados, sem subsídios, que até fome podem passar, mas vão ter tecnologia, que lhes vai valer de muito; em dias de muito mau tempo o mar insiste em “varrer” as casas e estradas junto ao Porto dos Carneiros; temos o mau cheiro que afeta os habitantes da freguesia do Cabouco; o ruído e o mau cheiro da fábrica de rações no Rosário…..

Tanto que o Município tem por onde se preocupar, mas pensa-se que com a Lagoa Smart City, e a divulgação como tal, fica tudo resolvido?!? Não…óbvio que não.