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Abril, Sempre!

Este ano o 25 de abril comemorou-se de forma atípica, mas comemorou-se!

De todo o país partilharam-se imagens e vídeos, que registaram as diferentes formas para fazer passar a mensagem de que esta data merece ser lembrada e comemorada.

O povo respondeu à chamada e fez-se ver e ouvir! Cravos e faixas nas janelas e nas varandas. As colunas ecoando os cantos eternos de Zeca Afonso, José Maria Branco, Sérgio Godinho.

Cantou-se a Grândola de cravo ao peito!  Gritou-se “Liberdade” , “fascismo nunca mais”...

Honrou-se quem morreu às mãos do Estado Novo, que usou da PIDE para praticar as maiores atrocidades; relembram-se os/as ativistas pela liberdade; relembraram-se os presos políticos; as vidas ceifadas na guerra colonial.

Elogiou-se o Sistema Nacional de Saúde  - uma conquista de Abril e da democracia! Médicos/as, enfermeiros/as, pessoal auxiliar, cantou, enaltecendo e relembrando a importância de um serviço publico de saúde.

Tenho os mesmos anos que tem a liberdade, em Portugal. Sou filha da liberdade! Nasci em novembro e cresci fascinada pelos valores de abril. E jurei, a mim própria, que continuaria a defendê-los. Cresci sem consentir a imposição de barreiras por ser mulher!

Desde cedo percebi que por muito que digamos “Abril, sempre”, o “sempre” não é uma certeza. Percebi que as conquistas de abril são, muitas vezes, testadas. Percebi que há que quem, coberto de algodão doce e pés de lã, queira retirar direitos que foram conquistados com luta e suor.

Cantou-se o célebre refrão: “Só há liberdade a sério quando houver a paz, o pão, habitação, saúde, educação”, de Sérgio Godinho.

Este ano vivemos todos e todas amedrontados/as pela Covid19, mas não esqueçamos que doentes oncológicos em ilhas sem hospital necessitam de continuar os seus tratamentos, sem se expor ao vírus, numa paragem obrigatória, em São Miguel; não esqueçamos as mulheres grávidas, que por não terem resposta nas suas ilhas de residência, têm de se deslocar e pernoitar em São Miguel.

Temos consciência de que foram tomadas medidas necessárias, no combate a este inimigo, mas não esqueçamos que, nalguns casos, bastaria uma aterragem no Faial, para que pessoas – enquadradas no grupo de risco – não tivessem, obrigatoriamente, de se expor a riscos desnecessários.

É impossível ignorar os apelos, que se sucedem, a pedir a solidariedade de todos/nós, porque há fome envergonhada! Há casas onde o pão já escasseia. Não querendo ofender quem já o fez, mas onde andam os serviços da ação social das Câmaras Municipais?

Há casas onde os tetos tendem a desabar, mas que atrasos e desculpas com mais de 15 anos, continuam a servir de mote a uma pobreza que se tenta emparedar com blocos.

Não deixemos nem uma criança para trás na educação. É com uma forte aposta na educação que se constrói parte do futuro. Que não sejam necessários comunicados para que se resolvam casos à ultima da hora.

No fundo, não se pode permitir que se desacredite “Abril”!

Amanhã, depois de amanhã e todos os dias são dias para fazer cumprir Abril e quebrar as desigualdades sociais.

Querida camarada e amiga Zuraida Soares, onde quer que estejas: Fascismo nunca mais!