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Açores limpos, Açores lindos.

Não podemos ter sol na eira e chuva no nabal…”

Aproximamo-nos da época de maior afluência turística aos Açores e, em particular, à nossa Ilha do Faial. Para além de outras maravilhas, propagamos aos quatro ventos as nossas belezas naturais, a nossa qualidade de vida, a pureza do nosso mar, a genuinidade dos nossos produtos agrícolas e pecuários…

E as pessoas acreditam em nós, e cada vez mais vêm até nós.

Agora é nossa missão transmitir-lhes essa realidade, comprovar-lhes a veracidade da nossa propaganda e mostrar-lhes o que, em boa verdade, lhes podemos oferecer.

Tenho, em diversas oportunidades, defendido que devemos optar e fomentar um turismo de qualidade, ou seja, um turismo para pessoas com “massa” ao invés dum turismo para uma massa de pessoas.

E, quando me refiro a pessoas com “massa” não estou a pensar apenas no aspeto financeiro, mas também na ótica da massa cinzenta.

Dá gosto ver pequenos grupos familiares percorrendo os nossos trilhos pedestres, equipados “à maneira” e com máquinas fotográficas de qualidade a tiracolo.

Dá gosto ver as mesmas pessoas nas receções das nossas unidades de hotelaria e voltar a encontrá-las nos nossos restaurantes.

Desperta-me muito prazer, e brindo-as sempre com um sorriso acolhedor, cruzar-me com pessoas que entram na Casa Manuel d’Arriaga, ou me perguntam pelo nosso Museu, ou onde fica o nosso Mercado Municipal.

Não podemos defraudar as expetativas deste tipo de turista que não destrói a natureza, que aprecia as nossas belezas naturais, que consome e gasta dinheiro em lembranças para si e para os familiares que um dia hão de cá vir também.

Para que tudo isto continue a acontecer, não podemos dizer que as nossas vacas são felizes e, depois, vê-las exageradamente concentradas no mesmo pasto a ruminar milho de silagem e a comer ração, na sua maioria OGM, em vez de pastarem alimentos verdes.

Também me horroriza ver as bermas das estradas com uma faixa amarela de relva queimada por produtos químicos que denunciam práticas nada condicentes com a pureza natural do nosso ecossistema.

Tenhamos juízo antes que seja tarde demais.