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Habitação e turismo para Angra do Heroísmo

É visível o investimento privado na reabilitação de edificado em Angra do Heroísmo, mesmo não tendo dados sistematizados que confirmem tal constatação, começamos a notar, no nosso dia-a-dia, as diferenças entre a cidade, em 2013, e a cidade de agora.

Com menos prédios degradados e devolutos, a cidade parece mais bonita, mas não necessariamente mais viva. Porque dar vida a uma cidade vai para além das casas bem cuidadas e das pessoas que chegam e que partem. O que dá vida a uma cidade é, sobretudo, ter gente que escolhe fazer aí a sua vida.

O conceito de uma cidade com gente que faz desse espaço cenário das suas vidas não é contrário ao desenvolvimento do turismo. Só quem não percebe a verdadeira natureza do turismo é que não vê qualquer problema em ter uma cidade, um concelho ou uma ilha quase desprovida de residentes.

Se a liberalização e desregulação do setor do turismo ocasionaram um processo de regeneração urbana que trouxe mais gente, a verdade é que estas pessoas não vivem em Angra do Heroísmo.

Atrair pessoas para o centro de Angra do Heroísmo não é, pois, sinónimo de fixar residência nem mesmo de uma verdadeira revitalização, e pode até ser contraproducente para o turismo, porque a cidade poder-se-á converter num espaço em que os turistas só interagem com outros turistas ou com pessoas que trabalham no setor, numa cidade oca e sem alma.

Se para uns dar vida à cidade de Angra do Heroísmo é convertê-la num resort, para outros o atestado de vida da cidade são os automóveis que lá conseguem estacionar.

Pensar o que pretendemos de Angra do Heroísmo, sabendo que o turismo desempenha um papel importante no nosso futuro, é crucial. Por agora, e também como instrumento de planificação, manda o bom senso que se efetue um estudo de avaliação do impacto de turismo na cidade, com especial atenção para o centro histórico, e no concelho.

Sabemos que não é uma proposta popular. Contudo, sabemos que é necessária, porque permitirá planear, a partir do que temos, para salvaguardar a sustentabilidade dos setores da habitação e do turismo.