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Paninhos quentes e contaminados

Passada mais de uma década desde os primeiros rumores acerca da contaminação de aquíferos na Praia da Vitória, resultante da presença militar norte-americana na Base das Lajes, eis que, para alivio de uns e receio de outros, o assunto finalmente chega e é debatido na esfera pública.

Durante estes anos, e perante os resultados de estudos e relatórios, outros focos de contaminantes foram identificados. Aos hidrocarbonetos juntou-se a contaminação por chumbo, nos solos e subsolos. Mas tudo isto, embalado quase no silêncio das relações diplomáticas, tentou evitar-se.

Finalmente chegou o momento de percebermos ao lado de quem estão os decisores políticos e entidades responsáveis. Foram muitos anos a por “paninhos de água quente”, tentando dissimular um crime ambiental que poderá ter consequências nefastas para a saúde pública, na ilha Terceira.

Embora o Sr. Presidente do Governo Regional se mostre muito satisfeito com aquilo que considera serem os progressos em torno desta questão – parece que os contactos entre o poluidor (governo norte-americano) e o Governo Regional duplicaram – a mim, e penso que à grande maioria dos/as terceirenses, estes desenvolvimentos não transmitem segurança absolutamente nenhuma, pois pouco (muito pouco) foi feito e não é da duplicação de contactos que necessitamos. Foram muitos os anos perdidos em torno de “contactos”.

Está mais do que na hora de se atuar no concreto, e isto passa por encarar o assunto de forma séria, sem eufemismos, e colocando a saúde e a vida, na Terceira, acima de tudo: descontaminar e garantir que outras suspeitas são devidamente avaliadas. Isto não é alarmar. Isto é prevenir e tratar.

Não deixa de ser curioso que um Sr. Deputado que escreveu acerca da opção da dieta vegetariana, apontando-lhe uma data de consequências para a saúde, passado um ano, trate um assunto como a contaminação, por hidrocarbonetos, de solos e subsolos de uma localidade, com tanta indiferença.

Referir-se, em tom jocoso, ao grave problema ambiental provocado pela utilização militar da Base das Lajes pelos EUA como sendo a “Hiroxima da Terceira” é desrespeitar um dos episódios mais graves e horrendos da história mundial, e desrespeitar todos/as os/as terceirenses que temem pela qualidade ambiental da sua ilha, pela sua saúde e pela das gerações vindouras.

Perante esta comparação absurda, que revela a forma como esta questão tem sido tratada, como é possível sentirmo-nos seguros/as?