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Uma Câmara Municipal socialista?

É conhecida a apetência do PS, na autarquia de Angra do Heroísmo (e não só), para utilizar os desempregados do concelho como mão-de-obra barata e para desenrascar tudo o que tiver que ser desenrascado, enquanto anuncia que não está a fazer mais do que uma obra de caridade, digamos que um favor aos desempregados.

Álamo Meneses faz questão de assumir que tem 200 pessoas que prestam serviços na autarquia, ao abrigo de programas ocupacionais, e não é capaz de admitir que alguns desses «ocupados» se encontram a desempenhar funções de caráter permanente, ou que se de hoje para amanhã deixasse de contar com o trabalho destes 200 angrenses, a autarquia e seus serviços dependentes não teriam quaisquer problemas de funcionamento.

Álamo Meneses faz de conta que estas 200 pessoas não trabalham lado a lado com outros trabalhadores, que cumprem um horário de trabalho completo e encontram-se subordinados à hierarquia da autarquia e seus serviços, mas que, em troca, não recebem um salário, mas sim um subsídio, sem direito a um contrato de trabalho nem direito a uma carreira.

O PS acredita que os desempregados, para receberem uma compensação pela sua condição, têm de fazer algo em troca, como se estivessem em dívida com a sociedade.

A autarquia de Angra do Heroísmo, ao longo deste mandato, teve a oportunidade, e aproveitou-a, de resolver dois problemas de uma só vez: arranjar mão-de-obra barata para colmatar as necessidades de pessoal, e, com isso, fez diminuir o número de desempregados no concelho. É de socialista!

Um socialismo que não hesita em alinhar pela bitola mais neoliberal no que diz respeito ao mercado laboral, que vê na precariedade a melhor resposta para o desemprego. Por outras palavras, a degradação de direitos e salários como caminho para a redenção e para o emprego. Mas que emprego?

Durante este mandato, por um lado, a autarquia continuou sempre mais comprometida em precarizar, mas, por outro lado, nem sinal de comprometimento com uma política social concelhia planeada.

Poderia ter criado um concelho municipal social para articular a ação da autarquia com a ação de IPSS e Misericórdias do concelho, mas optou por não o fazer.

Poderia ter investido na criação de equipas multidisciplinares que coordenassem, organizassem e dinamizassem ações proactivas de intervenção, em colaboração com mediadores comunitários dos bairros sociais do concelho e nas freguesias do concelho, mas optou por não o fazer.

Bem sei, que são medidas pouco populares, porque tratam de igual para igual quem se encontra socialmente mais fragilizado, e que é bem mais populista entrar na onda de julgar os mais pobres como uns malandros que andam à caça de apoios sociais, numa lógica de generalizações que têm tanto de perigoso como de, infelizmente, popular.

Pois bem, aos angrenses, e em particular para quem se considera socialista, reflitam se este histórico político do PS, e de Álamo Meneses, é condizente com uma autarquia socialista, ou se é mais fácil virar a cara a todos estes atropelos e votar no PS.