Author Bios

Opinião:

  • Muito dificilmente reabilitaremos, na Horta ou noutro sítio qualquer, os danos que as decisões casuísticas, sem estudo, “chutadas com o pé que está mais à mão”, sistematicamente impõem ao território, e que nem tão pouco se demonstram económicas, porque aí as derrapagens e o rol de «correcções», por si só, encarregam-se de as desdizer.

  • Enquanto foram os deuses os arquitectos criadores das lagoas das Furnas e das Sete Cidades, esteve tudo certo, porque usaram a cabeça e as mãos. Mas quando os homens as modificaram, foram a pouco e pouco na ânsia de fazer muito e depressa, perdendo a cabeça e usando mal as mãos.

  • A alteração ao Plano de Ordenamento da Bacia Hidrográfica da Lagoa das Furnas, agora em consulta pública, tornou-o bem mais permissivo, onde as actuais pastagens e respectivo encabeçamento, excessivo segundo o próprio plano, podem permanecer, e as construções para turismo de habitação e turismo em espaço rural podem edificar-se segundo diferentes gradientes consoante as zonas.

  • No nosso país, e não só certamente, as decisões políticas sobre o território e a sua ocupação urbana, mas não só, andaram quase sempre arredadas da consulta pública., que se fica na quase totalidade dos casos, pela afixação ou publicação de Editais, em letra de reduzido tamanho e de difícil leitura.

  • Seguros do interesse deste conjunto insustentável de edifícios, procuramos sempre o seu reforço acrescentando-lhe mais peças, e agora engendra-se o Azores Aquarim, que será o primeiro [elefante branco] dentro de água e o Teleférico que será o primeiro no ar.

  • A arte parece ter deixado o nosso dia-a-dia e com ela a poética e a beleza; passámos para o reino dos números. Foi tempo que a legislação relativa à construção de obra pública, impunha a afectação, salvo erro na ordem dos 10% da empreitada, para a introdução de obras de arte, e ainda hoje esses edifícios respiram outro ar.

  • O Orçamento Participativo tem um limite de 100 mil euros por projecto, num universo anual de 300 mil, não podendo por isso resolver grandes problemas nem tão pouco cometer grandes erros, o que só por si é uma grande virtude do programa (ou lá participariam de pronto as aves de rapina!), mas para além da abordagem do meio urbano, da reflexão em torno dele e da participação democrática, permite ao Município, nesta auscultação, encaixar uma saca de ideias, algumas bem meritórias que poderá e deverá, ouvindo os proponentes, reflectir e pôr em prática quando entender conveniente.

  • A Calheta de Pêro de Teive, confronta o tecido existente e a sua memória, exige demolição para correcção do desatino, mas não se fala, ou fala-se baixinho, baralha-se a opinião, empurra-se com a barriga e oxalá caísse no esquecimento…É uma chatice estar ali tão à mostra, porque senão ficaria tranquilamente como o Monte Palace, ou ainda melhor seria, se estivesse enterrada como a Sala de Exposições na cisterna do jardim António Borges, que fora da vista não mostra a saca de dinheiro que lá ficou depositada, sem retorno de qualquer espécie.

  • Para quando e aqui, neste reduzido universo privilegiado pela natureza, o reconhecimento da importância da Arquitectura?

  • Na Calheta de Pêro Teive, estamos no primeiro caso, em que em dois momentos se costurou o fato à rigorosa medida em prol do negócio, eliminando-se assim à partida quaisquer pareceres negativos (sempre tão deselegantes!), garantindo a sua perfeita legalização, mas onde a conjuntura remando contra a maré, obstou à sua pronta conclusão e pôs a nu a inadequação da operação ao local, gerando movimentos populares de contestação.