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A dor dentro de portas

Portugal é aplaudido internacionalmente por ser considerado um dos países mais seguros. No entanto, a violência domestica – aquele crime que, na maioria das vezes, acontece dentro de casa – mantém-se como o “calcanhar de Aquiles” da segurança pública.

Embora não sejam conhecidos os dados do Relatório Anual de Segurança Interna, os dados preliminares revelam um aumento da violência domestica. Para além dos femicídios, o crime de violência doméstica terá subido 11,5%, aproximando-se das 30 mil queixas num ano.

A Associação de Apoio à Vítima, (APAV) divulgou o número de pedidos de ajuda que recebeu em 2019 e que ultrapassou largamente os do ano anterior. 80% das mais de 20 mil queixas foram relativas a crimes de violência doméstica. Há vítimas de todas as idades, desde as mais jovens às mais velhas, e quatro em cada cinco são mulheres.

O isolamento social imposto no país e na região desde meados de março, devido ao novo coronavírus, restringe muitas pessoas às suas casas. O espaço limitado, a gestão do tempo, a alteração nas rotinas e a, possível, fragilidade financeira, são fatores que podem potenciar situações de violência.

Mais uma vez, o BE/Açores afirma que ninguém pode ficar para trás, pois temos consciência e conhecimento de que em tempos de crise, há uma tendência para que o número de casos de violência doméstica aumente substancialmente.

Perante isto, foi entregue uma proposta, a ser debatida no parlamento regional, para que, à semelhança do que acontece em Portugal continental, o Governo Regional proceda a uma ampla divulgação da linha regional para a denúncia e que esta funcione durante as 24 horas do dia.

Recentemente o secretário-geral da ONU – António Guterres – lançou um apelo global no sentido de se proteger mulheres e crianças que estão "em casa", no qual referiu que "Devemos garantir que as mulheres possam pedir ajuda de maneira segura, sem que os que as maltratam percebam.”.

Desta forma, e por sabermos que a denuncia pode ser difícil, o BE propôs que seja criada a opção de denuncia através de SMS.

Prevenir e combater a violência doméstica é tarefa para todo o país. Em tempos de isolamento, pede atenção redobrada das entidades públicas e de todos/as nós. No debate da proposta do BE/Açores perceberemos quem está contra este crime e quem prefere subestimar esta chaga social.

Por isso, imploro-vos para que combatamos este flagelo, para que o possamos debelar: se és vitima ou sabes de algum caso de violência domestica, denuncia! Não podemos, nem devemos, ser cúmplices!

A violência domestica é crime público!

Aproveito e deixo aqui a linha regional que, embora tenha sido criada para a denúncia de tamanha atrocidade, é difícil de encontrar: 800 27 28 29