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Ensino Superior fora de casa

No início de um novo ano letivo, chega a hora de muitos jovens açorianos iniciarem a sua caminhada no ensino superior. Alguns irão permanecer num dos polos da Universidade dos Açores, outros irão procurar um futuro académico nas universidades de Portugal continental.

Neste processo, seja nos Açores ou no continente, as famílias deparam-se com o mesmo problema, que são os custos inerentes a estudar longe de casa: alojamento, alimentação, despesas de transportes e outros.

Estes custos representam um enorme esforço financeiro para as famílias açorianas para manter os jovens açorianos no ensino superior.

A maior fatia deste esforço financeiro suportado pelas famílias destina-se ao alojamento. Os quartos de aluguer em Lisboa, Porto ou Ponta delgada estão a valores muito elevados pelo facto de o turismo estar a crescer nestas cidades. Sendo assim, os alunos terão de procurar alternativas a esta realidade que normalmente passa por irem para cidades mais longínquas, que não seriam a sua primeira escolha, e podem também recorrer às residências universitárias, que estão cada vez mais cheias devido aos valores elevados nas habitações privadas nestas cidades.

Sobre esta temática, o líder do JSD/Açores na última Universidade de Verão do partido, sugeriu que o Governo Regional deveria criar residências universitárias na cidade de Lisboa e no Porto, com o intuito de aliviar o esforço financeiro das famílias açorianas. Flávio Santos esqueceu-se que a oferta dos quartos em residências universitárias são da responsabilidade do Ministério da Educação.

O Estado, em abril do presente ano prometeu disponibilizar 14 mil novas camas a preços acessíveis em todo o país, até 2020, através do Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior (PNAES). O secretário de Estado do Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira garantiu que esta nova oferta contempla preços máximos de alojamento de 120 euros mensais para quem estude no interior e 220 euros para os que frequentem instituições em Lisboa ou no Porto.

Assim, a solução para este problema tem que passar pela disponibilização de um maior número de camas para os alunos das Regiões Autónomas, que estão mais longe de casa do que qualquer outro estudante.

E se há falta de espaço nas residências universitárias, para isso também há solução: o Governo da República pode começar por reabilitar os edifícios devolutos que tem por todo o país.