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A escolha do PSD

Na mesma semana em que decorreu aquela que parecia ser a reunião decisiva da comissão bilateral para que a Região fizesse valer o seu direito de exigir mais e melhor do poluidor (EUA), quanto aos trabalhos de descontaminação dos aquíferos da Praia da Vitória, o PSD, na Assembleia da República, apresenta um projeto de resolução para acompanhar o empenho do Ministro dos Negócios Estrangeiros na preservação da relação diplomática com os EUA.

Recorde-se que Santos Silva, aquando da sua vinda à Terceira, deixou bem claro que entre a saúde pública dos terceirenses e a saúde da relação diplomática com os EUA, a opção deverá recair sobre a última destas duas opções, porque o que interessa é não quebrar com os EUA, como se a diplomacia se jogasse com soluções dicotómicas entre o «preto» e o «branco», quando a maior parte das jogadas se fazem no «cinzento».

Quando se esperava que o PSD jogasse tudo para salvaguardar a saúde pública dos terceirenses, surpreende tudo e todos, e opta por apresentar uma iniciativa que não é mais do que ajoelhar-se perante os EUA e a NATO, sem que fizesse qualquer referência ao problema ambiental que afeta a ilha Terceira.

Em suma, numa altura em que o poluidor não se compromete sequer com um calendário para desenvolver os trabalhos de descontaminação, o PSD entende que importa renovar os votos de dedicação e devoção para com o poluidor. Motivo para questionarmos o PSD sobre o que vale mais: Se uma relação imperturbável com os EUA, ou a saúde pública dos terceirenses?

Começo a pensar que o choque do PSD relativamente às afirmações do Ministro dos Negócios Estrangeiros de que os 100 milhões de euros, por ano, para a descontaminação dos aquíferos valem zero, não terá sido pela displicência tida para com os terceirenses, mas antes pela surpresa de haver um Ministro no Governo da República, que o PSD tanto abomina, a alinhar por completo com toda a sua política externa.

Não é, pois, surpreendente que um reputado articulista do PSD tenha, à época da afirmação polémica do Ministro dos Negócios Estrangeiros, expressado que, de facto, não se poderia exigir ao poluidor, o que se exige no PREIT para a descontaminação dos aquíferos.

O Bloco de Esquerda não hesita (e nunca hesitou), e se tiver de optar entre ter uma relação menos imaculada com os EUA ou garantir a saúde pública dos terceirenses, optará pela saúde pública dos terceirenses, e já demonstrou o seu comprometimento, ao apresentar propostas, tanto na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores como na Assembleia da República, para não só forçar a limpeza da pegada ambiental como também a responsabilizar os norte-americanos.

Quanto ao PSD, começa por ameaçar, perante a comunicação social, que vai colocar o poluidor em tribunal, passadas algumas semanas já nos vem dizer que está disponível para lhe fazer um desconto de 25%, e agora vem renovar os votos de lealdade para com o poluidor. Afinal, em que ficamos?