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A ética republicana está em crise!

Nos  últimos tempos, temos assistido a cenas políticas pouco dignificantes, e nada éticas, por parte do Governo da República.

O posicionamento da ministra do Mar relativamente às pretensões dos Açores no âmbito da lei de bases da gestão do mar é indescritível, não só pelo conteúdo, mas também pela forma como se referiu ao assunto, fazendo lembrar tempos antigos. Mas sobre isto escreverei posteriormente.

Voltando à ética – ou falta dela – saliento os tristes acontecimentos protagonizados pelo Governo da República e pelo Sr. primeiro-ministro relativamente à contagem do tempo de serviço dos professores.

Por iniciativa do Governo da República, o Orçamento de Estado para 2018 estabelece que o tempo de serviço dos professores não seria apagado, e que o ritmo e o modo de contabilização deste tempo em atraso seria negociado com os sindicatos. Se não bastasse o Orçamento, que é lei, foi ainda aprovado um projecto de resolução de igual teor na Assembleia da República.

Volvidos apenas alguns meses, veio o ministro da Educação fazer chantagem sobre os professores e seus representantes, afirmando que em vez dos 9 anos em atraso, seriam contabilizados apenas 2 anos, e nada mais. Em defesa do ministro da Educação, surgiu prontamente António Costa, alegando não haver dinheiro para a contabilização imediata do total do tempo de serviço dos professores. Uma argumentação falsa, já que há abertura dos sindicatos para negociar o faseamento da contagem do tempo de serviço.

Além disso, cabe-nos perguntar se o Governo não fez contas quanto apresentou o orçamento. Claro que fez. Não quero acreditar que António Costa tenha colocado aquela norma no Orçamento, de forma traiçoeira, apenas para o ver aprovado.

Mas a esta minha perplexidade, juntou-se outra. Durante mais de um ano, o Governo da República, o PS e o BE debateram medidas para combater a precariedade. Com as inevitáveis cedências, de parte a parte, chegou-se a um consenso sobre um conjunto de medidas.

Qual não é o meu espanto, quando vejo o Governo da República, e como é evidente com o beneplácito de António Costa, primeiro-ministro, rasgar algumas medidas que constituiam o coração das propostas, e apresentar-se na Concertação Social com outras medidas que, após negociações com o patronato, resultaram num faz-de-conta contra a precariedade.

Mas a falta de ética não fica por aqui.

Durante meses, o governo de António Costa negociou com o BE formas de baixar o preço da electricidade. Em novembro de 2017 chegou-se a um acordo para cortar 400 milhões de euros anuais nas rendas escandalosas à EDP.

O acordo foi transformado em diploma legal a ser votado na Assembleia da República. Na votação na generalidade, o Partido Socialista votou a favor. Mas, durante o fim-de-semana o PS mudou de posição. Pediu nova votação e votou contra aquilo que dias antes tinha votado a favor.

Será que recebeu um telefonema do Partido Comunista da China, que é o principal dono da EDP?

Não sei o que aconteceu, mas sei que se reforçou em mim a ideia de que a ética republicana está em crise.