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O caminho para o futuro faz-se pela Esquerda

A abstenção, uma vez mais, foi enorme nestas eleições europeias. Há muito a fazer para levar mais gente a votar. A começar por gerar mais interesse e abrir cada vez mais a participação cidadã na decisão política. É a participação ativa na comunidade que leva ao voto e não o contrário. Nos Açores o crescimento da abstenção muito se deve também, mais uma vez, à coincidência do dia das eleições com as festas do Santo Cristo em São Miguel, onde a abstenção foi mais elevada.

O Bloco de Esquerda consegue um excelente resultado. Fez uma campanha de ideias, debatendo os problemas reais das pessoas, falando da Europa, do País e da Região. O reconhecimento do trabalho do Bloco e da sua importância para a melhoria das condições de vida no país é claro no resultado eleitoral. Crescemos em número de votos e em termos relativos. Em mais uma eleição, fomos a terceira força política nacional. A Marisa Matias e o José Gusmão, deputados eleitos pelo Bloco de Esquerda, têm cinco anos de muito trabalho, mas sei que esse trabalho não podia estar em melhores mãos.

Nos Açores, o Bloco de Esquerda também foi a terceira força política, repetindo o que já tinha acontecido nas Legislativas nacionais de 2015. A Alexandra Manes protagonizou muito bem essa campanha. É um resultado que nos motiva e reflete a capacidade que o Bloco tem tido nos Açores para crescer. Há um sinal claro que nos Açores as pessoas têm confiança no Bloco de Esquerda e sabem que o partido cumpre os compromissos que assume.

Em tempos, não muito distantes, comentadores gastavam rios de tinta e montes de papel a analisar e comentar cada resultado menos bom do Bloco e a escrever obituários antecipados. É curioso que, nos Açores, se consigam escrever páginas de análises aos resultados sem que se refira sequer este resultado do Bloco.

O Partido Socialista vence as eleições para o parlamento europeu, embora sem o resultado que desejava e que muita gente antecipava. Nos Açores, o seu resultado foi melhor mas não superior ao das últimas eleições europeias.

Para a direita, herdeira da troika, a derrota foi pesada. A memória dos portugueses não esquece os anos de chumbo da troika e das suas convictas políticas de austeridade. PSD e CDS ainda não sabem o que fazer na oposição. As cambalhotas quanto ao tempo de serviço dos professores foram o corolário de quatro anos de contradições da direita, perdida de saudades da troika que lhes escrevia as leis.

A campanha do CDS foi especialmente triste, de um populismo bacoco, bem ao estilo do seu cabeça de lista e de outros dirigentes do CDS. A campanha que fez foi a campanha dos ataques baixos e sem conteúdo e dos soundbytes de mau gosto. Só serviu para aumentar o desinteresse pela política.

Estes resultados são um claro sinal de que a direita não saiu ainda de 2015 e que o caminho para o futuro faz-se à sua esquerda. E o futuro já está aí. Há mais decisões a tomar em breve, não sem antes se votarem matérias fundamentais para o futuro do país, como a Lei de Bases da Saúde, da Habitação ou sobre a legislação laboral.

Daqui até outubro há por isso muito a fazer e a decidir. E é, fundamentalmente, à esquerda que se decide o caminho a seguir.