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COFACO - Hoje meu, amanhã teu

A 17 de março de 2010 apresentei um protesto na Assembleia Regional com a seguinte introdução: “Começou, esta semana, a saga dos operários e operárias da COFACO que diariamente se tem que deslocar à Ilha do Pico para trabalhar.

A recusa pela invocada impossibilidade legal do Governo Regional permitiu que se concretizasse a deslocalização desta unidade fabril obrigando trabalhadores e trabalhadoras a um sacrifício suplementar diário nas suas vidas.

A inércia e o manifesto desinteresse do Governo Regional pela economia da Ilha do Faial vaticinaram mais esta machadada implacável na sua já quase residual indústria.”

Agora, oito anos mais tarde, vivemos situação idêntica na irmã da outra margem do canal, mas que nos afeta igualmente e nos deverá fazer despertar para o futuro e para o perigo dos bairrismos doentios que nos continuam a impingir.

A resposta governamental, passado todo este tempo, é a mesma, refugia-se na natureza privada da entidade em causa, mas disponibiliza-se para a apoiar financeiramente com dinheiro público e sem contrapartidas que garantam o futuro de quem lá trabalhou durante largos anos.

A cena repete-se, não para mal dos nossos pecados, mas para grande mal da nossa economia e, por conseguinte, do bem-estar social das famílias que nestas ilhas habitam.

Enquanto nos embriagamos com discussões estéreis sobre quem prejudica quem, ou beneficia com quê, enquanto uns e outros se digladiam e cavam um fosso cada vez mais difícil de ultrapassar, os verdadeiros interessados nestas intrigas e querelas palacianas aproveitam para lançar mais achas para a fogueira.

Não percebem, ou não querem perceber, estes imberbes advogados de causas perdidas que estas lutas de galos só aproveitam a quem quer paulatinamente despojar estas duas ilhas e, por arrastamento, o outro vértice do triângulo de qualquer pujança económica que possa fazer perigar os planos centralistas instalados?!

Abram os olhos enquanto é tempo.