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Incineração, a solução ruinosa: Já experimentaram uma TMB?

Rui Berkemeier, Eng. do Ambiente e Coordenador do Centro de Informação de Resíduos da Quercus, após ter participado em debates sobre a Incineração que se realizaram na Terceira e em S. Miguel, escreveu em “Ambiente Online” há sensivelmente um ano:

“Nestes debates verificou-se ainda muito desconhecimento da AMISM e da TERAMB em relação a diversos aspetos relacionados com o TMB, nomeadamente o seu potencial de reciclagem, os seus baixos custos de investimento, as elevadas receitas provenientes do encaminhamento dos recicláveis para a Sociedade Ponto Verde, a viabilidade de utilização do composto do TMB, as vantagens em termos energéticos de incinerar rejeitados de TMB em vez de resíduos urbanos sem pré-tratamento e ainda as vantagens dos TMB na criação de postos de trabalho.”

TMB significa “Tratamento Mecânico e Biológico” e é um processo de tratamento de resíduos que permite a separação de resíduos urbanos indiferenciados, isto é, aqueles que são recolhidos nos contentores normais de resíduos que existem em todas as localidades. Esta separação permite separar muitos resíduos não orgânicos que podem ser separados e preparados para a reciclagem e outros, orgânicos, que por um processo de compostagem, podem servir, entre outros usos, para a agricultura.

Uma radiografia aos resíduos que produzimos, costumam mostrar que praticamente metade da quantidade produzida (50%) é orgânica enquanto que aproximadamente 30% são plásticos, cartão & papel e metais. Isto significa que há um potencial de separação muito grande e que pode garantir que por este processo de TMB, se consiga reciclar/transformar em composto entre 40 a 60% dos resíduos produzidos.

Porque razão é urgente exigir que se utilize um TMB na Terceira e em S. Miguel?

Há várias razões. Eis algumas mais importantes:

-      Uma delas é porque permite cumprir a meta da reciclagem dos 50% de resíduos urbanos que são produzidos. Esta meta é uma obrigação regional e europeia que teremos necessariamente de cumprir.

-      Outra é porque a quantidade de resíduos a incinerar (rejeitados) é muito menor. A incineradora pode, por essa razão, ter uma dimensão muito menor, cortando nos custos de manutenção e utilização;

-      Outra ainda é porque, do ponto de vista energético, os resíduos rejeitados por uma TMB estão mais habilitados para ser incinerados. Já não têm a “água” dos resíduos urbanos.

-      Finamente, a solução TMB contribui ativamente para a separação e redução dos resíduos produzidos. O processo TMB não obriga a uma injeção de resíduos permanente para funcionar ao contrário da incineração que precisa de estar sempre a ser alimentada.

Utilizar TMB permite uma solução sustentável. É muito mais barata. Dá tempo à região para pensar se precisa mesmo de incinerar.

A solução que o Governo Regional teima em avançar não é sustentável. Veja-se o exemplo da Terceira:

(a) A incineradora foi planeada para receber 40 mil toneladas / ano de resíduos. Os resíduos urbanos produzidos em 2013 (dados do Governo Regional) são de 37 mil toneladas.

(b) Para que esta máquina seja sustentável é preciso vender a energia que produz. Aparentemente ainda se negoceia com a EDA a venda de eletricidade a produzir pela incineradora, havendo quem diz que se tem de parar de receber energia das eólicas para receber a energia do lixo.

(c) Incinerar produz resíduos perigosos. Sim, não é um processo limpo! Cerca de 30% em peso do que se queima é cinza e escória e tem de ir para aterro!  As primeiras são tóxicas e precisam de um aterro para resíduos perigosos. É caro. Quem o pagará?

(d) Incinerar obriga a vigilância redobrada. Os filtros permitem reter a maior parte das partículas libertadas durante a queima. Mas são precisas afinações. Por essa razão uma máquina destas não pode parar muitas vezes, pois cada vez que pára, é preciso afiná-la para limitar a quantidade de partículas perigosas que expele. Onde iremos buscar os resíduos para alimentá-la?

Andam num lufa-lufa à procura de soluções sustentáveis com incineração. Há quem diga que vamos recolher o lixo já depositado em aterro(!); há quem queira vender o calor produzido pela incineradora(!). Até há quem sugira criar à pressa uma central hídrica. Nada disso nos trará a sustentabilidade desejada nem nos livra dos perigos da incineração. É caso para perguntar: Já experimentaram uma TMB?