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Intervenção | Mário Moniz | Faial

O Governo regional não tem um projeto de desenvolvimento para os Açores que tenha por base uma lógica de coesão territorial e social numa região arquipelágica.

O Faial é a prova concreta desta falta de projeto.

A situação do Faial degrada-se de forma progressiva e constante.

Alguns exemplos:

- Na já de si residual indústria, com a deslocalização COFACO e a consequente perda de dezenas de postos de trabalho;

- A saída da Rádio Naval sem qualquer razão plausível e contra comprovadas razões logísticas.

 

Esta situação tem preocupado a população e fica mais claro quando pais que têm filhos a estudar em cursos universitários acabam sempre na mesma conversa: “Então o teu filho (ou filha) quando acabar o curso volta para a ilha? - Ele (ou ela) queria voltar mas para fazer o quê? Não há cá nada onde possa trabalhar!

Na conversa diária, este é o sinal daquilo que as pessoas sentem na ilha. Mas é também o sinal daquilo que os números apresentam: “Todas as ilhas tem perdido população, à exceção da Terceira e S. Miguel”.

Este dado indesmentível revela a triste realidade que vivemos e demonstra, de forma clara, a falência das políticas governamentais de coesão.

A população do Faial está atenta a este problema. Realizou no último ano duas manifestações com centenas de pessoas, uma para que o aumento da pista do aeroporto seja uma realidade e outra contra a diminuição do número de voos da SATA para a ilha. Foram as maiores manifestações de protesto existentes nos Açores no último ano, e que demonstram o quanto a população está preocupada e sente o agravar dos problemas para o futuro.

É contra este mar de preocupações que o Bloco tem lutado.

Sobre a pista do aeroporto temos, na Assembleia Regional, e mesmo na Assembleia da República, exigido o cumprimento das promessas que quer PS quer PSD tem feito aos faialenses. Temo-lo feito de forma constante.

Recebemos agora a notícia de que a pressão e luta da população parece que vai dar frutos com o anúncio da ANA de que vai fazer obras para criar as zonas de segurança, que são obrigatórias por lei, para aumentar a segurança dos movimentos dos aviões quer nas aterragens quer nos levantamentos.

Mas não se percebe: Quando se vai investir milhões de euros nestas obras porque não se aproveita para fazer a obra completa de uma vez por todas, já que há estudos que ninguém contesta de que a pista pode ser feita em condições sem os valores astronómicos que sempre nos quiseram fazer crer, e num momento em que há apoios comunitários que cobrem a maior parte do custo do investimento?!

Todos nos lembramos que em 2016, por altura das eleições regionais, em plena campanha eleitoral, o percurso de campanha de António Costa foi alterado, para passar pelo Faial, para que António Costa viesse dizer aos faialenses que o Centro Público de Investigação das Ciências do Mar iria para a frente.

Como a vida mostrou, esta manobra foi unicamente para abafar a ideia há muito defendida pelo Bloco de Esquerda, e para ganhar mais uns votos.

O que vemos desde aí? Na Assembleia Regional, o PS chumba uma proposta do Bloco para a constituição de uma comissão científica para elaborar, no concreto, um projeto daquilo que seriam as valências e objetivos do novo centro de investigação.

Em resposta o governo de António Costa através da Ministra do Mar constitui em Lisboa, com uma pessoa dos Açores, uma comissão formada por técnicos/políticos do PS para esse objetivo.

Uma comissão controlada politicamente, para “dar à luz” aquilo que, politicamente, a República quiser.

Mas tudo isto com o apoio e a defesa calorosa do Governo Regional, quando o Bloco de Esquerda ataca esta solução, porque ela não passa da tentativa de, aos poucos, matar uma ideia.

Entretanto assistimos ao fecho do IMAR e ao despedimento de mais 8 investigadores. Por muito que lhes custe, a estes investigadores, todos têm trabalho em qualquer lado, mas quem perde mais uma Instituição é o Faial e os Açores.

Quando o PS e seu governo na República não querem mudar a Lei do mar, que retira aos Açores qualquer papel sobre o seu mar e suas riquezas, está tudo dito sobre as verdadeiras intenções do PS.

E que dizer do porto da Horta?

Há mais de cem anos este porto é o lugar de encontro de iatistas de todo o mundo, o porto seguro no meio do Atlântico.

Este facto tem um impacto significativo na economia da ilha. Por via disso, cabe a esta geração potenciar e aumentar a capacidade do porto para potenciar a economia da ilha.

Mas o que fez o Governo Regional? Na construção da nova gare de passageiros ao construir o novo molhe e contrariamente ao primeiro estudo, decidiu, para poupar dinheiro, encurtar o novo molhe e o seu ângulo.

Fez estas alterações sem efetuar estudos físicos, para poupar dinheiro, e o resultado está à vista, as correntes entram para dentro do porto de recreio, criam instabilidade marítima e mandam barcos contra o cais e contra barcos que estão amarados.

Lá se vai o porto seguro.

E agora propõe-se o governo gastar milhões de euros a tentar remediar um a obra mal feita.

Propôs o Bloco, na Assembleia, que fosse chamado o LNEC para um auditoria técnica à obra do novo molhe para verificar os erros e propor o que era necessário fazer.

O PS e o Governo chumbaram, usaram a sua maioria para impedir que ficasse a nu a sua incompetência.

Mas quem sofre mais uma vez é o Faial.

Sobre as questões centrais para o Faial o Bloco tem tido uma atuação permanente e assertiva. É nesse caminho que pretendemos continuar, para fazer jus ao lema desta Convenção: “Mais Açores, Mais Esquerda”.