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Intervenção | Paulo Fontes | Mobilidade e Saúde

Camaradas,

Gostaria hoje, nesta minha intervenção, falar de dois assuntos que me preocupam e bastante, Mobilidade e Saúde.

Se todos somos açorianos e açorianas, e se todos os açorianos e açorianas que residem no arquipélago dos açores tem os mesmos direitos e os mesmos deveres, então porque uns sentem mais na pele o custo da insularidade e porque é que uns tem a vida mais facilitada que outros? Senão vejamos:

Quem vive numa ilha com gateway, ou seja, ligação ao exterior do arquipélago por via aérea, tem sem sombra de dúvida a sua vida facilitada, passo a explicar, ao marcar um voo de saída ou de regresso aos Açores e ao aterrar da aeronave, fica logo na sua ilha de destino. O mesmo não acontece com os açorianos e açorianas que vivem em ilhas sem gateway, pois estes ainda têm de apanhar outro voo que os levarão ao seu destino final, a sua ilha de residência.

E não nos venham falar de encaminhamentos, pois a politica de encaminhamentos que está a ser aplicada na região neste momento, até pode ajudar qualquer coisa mas não resolve o problema. Quero exemplificar com o caso real que me aconteceu na semana passada na deslocação que fiz da minha ilha, São Jorge ao Porto via Terceira.

Ao tentar fazer a reserva de ida e volta através da SATA, eu e a minha família (somos 4) iríamos pagar perto de 1.200€, sabendo que no fim, com o reembolso através dos CTT poderia contar com uma despesa de 536€, ou seja, 134€ por passageiro. É certamente uma forma de o nosso governo regional injectar dinheiro nesta companhia aérea.

Optei por procurar uma outra solução, uma vez que vivemos numa região sem exclusividade no serviço aéreo!

Então, nesta minha procura, tentei encontrar uma viagem que conseguisse fazer o trajecto todo para cada lado, no mesmo dia, alcancei essa proeza na saída, pois consegui chegar ao destino no mesmo dia, mas no regresso. Tentei todos os dias da semana e não consegui! Qual não foi a minha surpresa, todos os dias o voo de regresso era sempre à tarde e depois dos voos de ligação à minha ilha de origem, pelo que tive de desembolsar o valor da pernoita, da alimentação e da deslocação dentro da ilha de ligação.

O governo, através da SATA, quando não consegue, nos encaminhamentos, fazer chegar os residentes das ilhas sem gateway à sua casa no mesmo dia, deveria suportar as despesas extras impingidas pela situação exterior à vontade de quem se desloca. Ou, considerar de duas uma, melhores horários nas ligações dos Açores com o exterior ou melhores horários inter-ilhas para que esta situação não se verifique.

Depois, tive uma nova situação, no dia de partida, o voo do encaminhamento não se realizou devido a condições atmosféricas adversas na ilha de saída, como sabia que ao não conseguir chegar À ilha Terceira nesse dia, perderia toda a minha deslocação pois a SATA, ou o governo não se responsabilizam por essa situação, a solução que encontrei foi, sair de São Jorge por via marítima através do pico até ao Faial para conseguir ligação à Terceira e assim conseguir sair dos Açores, mais uma vez, quem se responsabiliza por estas novas despezas?

Pois é, apesar de existir a política de encaminhamentos, continuamos a ter dois pesos económicos nas deslocações para quem reside no nosso Arquipélago.

O BLOCO tem de se unir r exigir que todos os açorianos e açorianas tenham os mesmos direitos nas acessibilidades, vivam eles no Corvo ou em São Miguel.

 

Saúde!

Outro assunto que tem de ser discutido e que tem de estar na mesa das negociações na Assembleia dos Açores, é a saúde!

Quem vive em São Miguel, Terceira ou Faial não faz ideia do que é viver numa ilha sem hospital, não faz ideia o que se passa para se ter os mesmos acessos aos cuidados de saúde disponíveis em hospitais. Quando existe uma urgência nestas 3 ilhas, os utentes são encaminhados para um destes três hospitais, nas outras ilhas, os utentes são encaminhados para os centros de saúde, onde os médicos de família, ficam desconfortavelmente com qualquer situação que lhe possa entrar porta dentro quando asseguram o serviço de urgência destas unidades, sem especialidade para lidar com estas situações, mais, ficam À mercê que um qualquer médico regulador desencadeie ou não, uma evacuação… ficando entre mãos com situações bastante graves e muitas vezes de difícil resolução.

Assim sendo, o Bloco de Esquerda deve assumir uma postura de negociação com o Governo Regional e defender 3 pontos essenciais:

- A deslocação dos médicos especialistas às ilhas sem hospital

- A deslocação dos utentes a consulta, exames, cirurgias ou tratamentos de especialidade a hospitais

- A renovação e actualização do sistema de reembolsos

É necessário reivindicar a deslocação de mais médicos especialistas Às ilhas sem hospital para que sejam mais frequentes, no mínimo, a correcta triagem em especialidades, não apenas algumas, nem apenas de vez em quando.

Certamente sai mais barato ao governo e menos incómodo aos utentes que tem de sair de suas casa para poder ter acesso a uma consulta que em ilhas com hospital fazem parte da rotina diária de quem lá vive mas nas outras ilhas não. Deslocar um médico especialista às ilhas sem hospital é certamente mais barato e cómodo.

Para termos uma ideia:

Um utente que necessita de uma cirurgia, por exemplo, primeiro o médico de família faz um pedido de consulta e o utente espera algum tempo (para não falar em meses) até que os Hospitais marquem esse ato, depois, o utente nem sempre consegue viajar porque não há lugar no avião e lá fica mais algum tempo até se conseguir conciliar a disponibilidade do hospital com a transportadora aérea, então e se for de verão que existe mais circulação de pessoas inter-ilhas é mais difícil essa conciliação. Vejamos agora um possível itinerário de cirurgia:

1º o utente, vai a uma consulta de cirurgia, regressa à ilha

2º o utente, faz exames e vai a uma consulta de anestesia, regressa à ilha

3º o utente, vai a cirurgia, regressa à ilha

4º o utente, vai a uma consulta pós cirurgia

Quantas viagens? Quantas estadas? Quantas dormidas e quantas refeições? Quantos transportes de e para os aeroportos?

Se for utente com menos de 18 ou mais de 65 anos, ou com alguma característica que justifique tem direito a acompanhante, logo a despesa ao estado é a dobrar…

E, depois assistimos, cortes na saúde como a redução da deslocação de médicos especialistas às ilhas sem hospital! O que será mais barato?

Por fim, no sistema de reembolsos é necessário intervir de forma a tornar mais justos e menos burocráticos os reembolsos das consultas. Como é possível que nos dias de hoje, depois de se exigir tanta documentação aos utentes se pague um reembolso na casa dos dois euros por uma consulta de especialidade.

Camaradas,

É necessário que façamos valer a nossa existência partidária e que nos unamos na defesa de quem mais precisa.