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Intervenção | Tito Fontes | Da arte e da sua componente política

Uma qualquer comunidade sem arte, arrisca-se a desintegrar-se e a ceder aos medos xenófobos. Uma comunidade sem arte não pode compreender-se, pois ela é necessariamente parte integrante do ser humano.

A arte é uma forma de fazer política e a política é a arte de transformar o mundo. Sem arte o homem arrisca-se a destruir aquilo que de mais belo tem, por isso é importante que haja uma aposta política nas artes. Tal só é possível se no sistema de educação elas tiverem um papel mais preponderante na formação da cidadania.

Se é verdade que a economia é uma parte vital do funcionamento das sociedades, não é de descurar a importância das artes como motor do desenvolvimento socioeconómico. Reduzir a humanidade a estatísticas e a tratados orçamentais é ter uma visão redutora da realidade.

A humanidade é sinonimo de diversidade cultural e pela via das artes e do conhecimento se pode contribuir para a diversidade e aceitação cultural das diferenças inerentes ao ser humano. As artes devem ser o veículo para o conhecimento dos povos, uma vez que  nelas estão representadas o que de melhor o homem consegue alcançar.

Se pensarmos nas artes como fomento da criatividade, concluiremos que elas acabarão por ser benéficas para a economia para o empreendedorismo que tanto se apregoa à boca cheia. Por isso é importante que que as artes estejam na linha da frente do investimento, pois pela criatividade se poderá gerar riqueza para todos e não somente para uma minoria.

As artes são ainda vitais para a própria Democracia, uma vez que elas são, por si só, a personificação da diversidade. 

As artes podem ainda ser vistas como forma de integração social. É importante haver um investimento na reintegração de cidadãos que, pelos mais variados motivos, se tenham desviado dos caminhos normais. As artes são uma forma de ajudar as comunidades a viverem melhor.

As artes como motor do pensamento são vitais para o diálogo racional no seio da sociedade. A artes contribuem para o debate ideológico e são, em última análise, a luz contra os perigos que representam os sentimentos xenófobos que crescem a olhos vistos.

As artes são a esperança contra os sentimentos egoístas que constituem um perigo para a harmonia social. É importante que nelas não se veja um perigo, mas antes, a realização da diversidade cultural, espelho da diversidade humana.

Elas ensinam a observar o mundo com a paciência. Nestes dias que correm, em que a velocidade das máquinas determina a acção humana, as artes são o recanto onde a alma humana se reencontra com a realidade que a rodeia. Por isso, as artes devem ser sempre uma prioridade, nunca algo a ignorar.

A arte é um mar que rodeia a ilha de “paciência”.

 

* Tito Fontes assina com o pseudónimo Miguel Teixeira de Andrade