Share |

Eu voto no Bloco de Esquerda

Ao longo de dez anos, fui deputada na Assembleia Legislativa dos Açores, na bancada do Bloco de Esquerda. Fui também dirigente regional e nacional, mantendo-me, actualmente, como aderente deste partido. Com este currículo, ninguém estranhará que o meu voto vá, direitinho, para o BE/Açores, com a esperança de que, com o apoio de outros/as Açorianos/as, seja possível eleger - pela primeira vez -  um deputado do BE, pela nossa Região.

Obviamente, mentiria se ocultasse a defesa intransigente que faço do partido, no qual me revejo. Contudo, esta minha convicção não se reduz a uma mera militância. Ela vai muito mais fundo, assentando na defesa dos Açores, da sua Autonomia e dos/as Açorianos/as que trabalham, em cada uma das nossas nove ilhas.

É que eu não esqueço que António Costa (e não só), quando vem aos Açores, enche a boca com proclamações de amor à Autonomia mas, na prática e no que diz respeito à vida concreta das pessoas, não só a menoriza, como a negligencia.

Se não, vejamos: como devemos interpretar o ataque que o Primeiro-Ministro fez ao direito à mobilidade dos/as Açorianos/as? Em termos muito simples e claros, o que ele  disse foi: querem mobilidade? Então, paguem-na!

Pelo contrário, Pedro Filipe Soares, na sua muito recente deslocação à Terceira, referindo-se à alteração ao subsídio de mobilidade (sugerida por António Costa), assumiu que esta fere um dos pilares do relacionamento, entre a República e as Regiões Autónomas, na medida em que estamos a falar de uma inegável responsabilidade do Estado central.

Na defesa dos/as Açorianos/as – seja na próxima Assembleia da República ou em qualquer outro fórum -, o meu camarada foi clarinho e sem papas na língua. Por isso, não posso deixar de perguntar: ouvimos mais algum dirigente nacional - nos Açores ou no continente - assumir alguma posição sobre o assunto? Não, não ouvimos.

Além disto, toda a gente já percebeu (mesmo os/as mais distraídos/as), que o mar dos Açores tem um potencial económico muito importante, no nosso presente e futuro. No entanto, a lei que regula a utilização do solo e subsolo marítimo impede os Açores de gerirem o seu mar. Esta lei, aprovada em 2014 - com os votos do PS, PSD e CDS -, ainda está em vigor, pois, em quatro anos, nem o PS, nem António Costa quiseram ouvir as justas reivindicações dos Açores.

E, portanto, mais uma vez, as acções não batem com as declarações de amor à Autonomia.

Como se isto não chegasse, faço minhas as palavras de António Lima e convido-vos a ler e a comparar os programas nacionais dos diversos partidos, no que diz respeito a propostas para os Açores. Se o fizerem, poderão constatar que elas vão do zero a meia página de generalidades que, tanto podiam ser afirmadas em 1980, como em 2050! Ao invés, no programa do Bloco de Esquerda, podem ler-se 2 páginas, repletas de medidas concretas para a próxima legislatura.

E só esta diferença faz toda a diferença! Até porque os compromissos do BE/Açores são, simultaneamente, assumidos pela estrutura regional e nacional - como tem salvaguardado Catarina Martins.

Portanto, o Bloco não tem duas caras, nem muda de pronúncia quando chega a Lisboa. Assume-se de forma séria e responsável perante o povo e diz ao que vem, sem tibiezas.

Tudo isto são razões adicionais para a minha escolha.