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Acumulam-se as provas da péssima opção política que é a incineração.

A Comissão Coordenadora da ilha Terceira do BE/Açores reconhece e valoriza a ação da autarquia de Angra do Heroísmo ao aumentar, em qualidade e quantidade, a rede de ecopontos espalhados pelo concelho. Contudo, consideramos que essa opção não deve ser tomada como uma contrapartida direta pela redução da abrangência da recolha seletiva porta a porta.
O que é mais fácil para os munícipes? Triar os seus resíduos e transportá-los até ao ecoponto mais próximo ou triá-los e colocá-los no lado de fora da sua casa onde serão recolhidos?
A resposta para melhorar a taxa de reciclagem para atingirmos o cumprimento da meta de 50% até 2020 é alcançável essencialmente pela conjugação de ações com vista a facilitar a vida de quem separa o seu lixo. Portanto, interessa não só aumentar o número de ecopontos espalhados pelo concelho como também a abrangência e regularidade dos circuitos de recolha porta a porta.
A incineradora está a ter prejuízo, fundamentalmente, por lhe faltar resíduos, e o déficit só não é mais grave, porque tal como Álamo Meneses admitiu há 1 ano, e com razão, a incineradora está a processar resíduos que deveriam ter a reciclagem como destino.
A Comissão Coordenadora da ilha Terceira sempre denunciou o sobredimensionamento da incineradora e a falta do mínimo de bom senso, por parte dos responsáveis políticos dos dois concelhos da ilha, quer os respetivos executivos camarários como as assembleias municipais, nas quais estão representados PS, PSD e CDS que nem ponderaram a possibilidade da instalação de uma unidade de tratamento mecânico e biológico que permitiria um tratamento prévio dos resíduos indiferenciados a incinerar e, porventura, evitar as constantes avarias ocorridas.
Decorridos 4 anos da instalação da incineradora da ilha Terceira, quanto custa o seu sobredimensionamento, a mineração dos resíduos depositados em aterro para a alimentar, as constantes reparações aos equipamentos? Que receitas perdem as duas autarquias pelo desaproveitamento da triagem e envio de resíduos para reciclagem? E no futuro, quanto custará o transporte de resíduos de outras ilhas para a Terceira?
Não vale a pena ensaiar reações de indignação, tal como o CDS na Praia da Vitória, pelo autêntico «elefante branco» em que se transformou a incineradora, quando o CDS sempre se manteve impávido, sereno e confiante quando confrontado com a opção tomada pelos executivos camarários dos dois concelhos, e alertado, pelo BE e várias ONGA, para as desvantagens ambientais e económicas desta opção política.
Ao contrário do que sempre defendemos, está cada vez mais claro que o único expediente para que a incineradora não se transforme num «elefante branco» passará pela conversão da ilha Terceira na capital da queima do lixo, ao fazer confluir o lixo de todas as ilhas do grupo central e ocidental, tal como se encontrava previsto no enviesado estudo de impacto ambiental, bem como pelo desinvestimento na triagem de resíduos recicláveis, contrariando, dessa forma, quaisquer esforços para alcançar a meta de reciclar, pelo menos, 50% dos resíduos recicláveis até 2020, tal como se confirmou pela não instalação de uma unidade de tratamento mecânico e biológico e a redução da recolha seletiva de resíduos porta a porta.