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Alteração que Costa quer fazer no subsídio de mobilidade "fere" o relacionamento com as Regiões Autónomas

A alteração ao subsídio social de mobilidade proposta por António Costa “fere um dos pilares do relacionamento entre a República e as regiões autónomas”, que é a garantia de que a mobilidade dentro do território nacional “é uma responsabilidade do estado central”, afirmou ontem o líder parlamentar do BE na Assembleia da República, Pedro Filipe Soares, numa sessão pública realizada na Terceira.

O dirigente nacional do BE insiste que “as pessoas não devem ter que fazer adiandamentos às companhias” e “só devem pagar o que é da sua responsabilidade, e depois as companhias que se entendam com o Governo da República”.

Recorde-se que, recentemente, a Assembleia da República aprovou uma alteração ao subsídio social de mobilidade para a Madeira que estabelece, a partir de 2020, o preço máximo que os residentes e estudantes pagam por viagem, sendo o restante valor pago pelo Governo da República às companhias aéreas. Mas dois meses depois da aprovação desta proposta, António Costa reabriu a discussão e quer novas alterações ao modelo. Porquê? Foi só “oportunismo, a pensar nas eleições da Madeira”, acusa Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE, que esteve ontem nos Açores, numa sessão pública sobre as próximas legislativas.

Pedro Filipe Soares deu este caso como um exemplo das tentativas de instrumentalização das Regiões Autónomas por parte de “partidos que têm duas caras”, referindo-se a PS e PSD.

“O BE tem uma visão para o país que respeita a autonomia dos Açores e da Madeira e defende o seu aprofundamento, em “diálogo” e “cooperação” com “uma República que não pode deixar ninguém para trás”.

O dirigente do BE criticou ainda PSD e CDS por terem criado um modelo que se preocupa mais em garantir o negócio às companhias aéreas do que em garantir o direito à mobilidade das pessoas.

Pedro Filipe Soares fez um apelo ao voto no Bloco de Esquerda, porque considera que “votar no PS ou no PSD é eleger deputados que se esquecem dos Açores mal aterram em Lisboa”.