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Angra vai importar lixo da Madeira para viabilizar o monstro que criou com a incineração

O acordo entre as autarquias de Angra do Heroísmo e do Funchal para o envio de resíduos da Madeira para a incineradora da Terceira “são mais uma prova da inviabilidade e do desperdício de dinheiros públicos suscitado pela opção política que levou à construção de uma incineradora claramente sobredimensionada na ilha Terceira", disse o coordenador do Bloco de Esquerda Açores, Paulo Mendes, em conferência de imprensa.

O coordenador do BE na Região diz mesmo que o acordo “tem contornos de quem está a correr atrás do prejuízo, neste caso a Câmara Municipal de Angra, que precisa de resíduos a toda a força para viabilizar a sua incineradora”. Isto porque a incineradora da Terceira tem capacidade para tratar 66 mil toneladas de resíduos por ano, o que equivale ao lixo produzido por todas as ilhas dos grupos central e ocidental, incluindo materiais recicláveis e não recicláveis.

“A Terceira vai assim importar lixo da Madeira, quase de graça, para alimentar o monstro que criou”, disse Paulo Mendes.

O município do Funchal vai pagar 25 euros por tonelada de lixo que enviar para a Terceira, ao passo que paga 80 euros por cada tonelada de resíduos tratados no Funchal.

O Bloco de Esquerda insiste nas fortes críticas à opção pela incineração nos Açores – uma na Terceira e outra a construir em São Miguel – alertando para o facto de esta escolha colocar em causa o cumprimento das metas de reciclagem estabelecidas, porque o plástico é um material com elevado valor calorífico e que será muito importante no funcionamento da incineradora.