Share |

BE alerta para “retrocesso vergonhoso” no abandono escolar

O Bloco de Esquerda classifica o aumento do abandono escolar precoce em 2017 nos açores como um “retrocesso vergonhoso”, e aponta a elevada precariedade dos professores nos Açores – cerca de 20% –, a falta de condições nos edifícios de muitas escolas, e a falta de pessoal não docente, como os principais problemas da Educação na Região.

António Lima defendeu ser necessário “pensar num paradigma da educação que não seja centrado em exames”. O atual modelo “ignora completamente o contexto social, económico, e cultural de cada uma das comunidades educativas” e serve “para enaltecer o ensino privado e as escolas dos meios mais favorecidos, denegrindo as outras publicamente”.

Aliás, foi o próprio secretário regional da Educação que, em reação à divulgação dos rankings das escolas com base nos exames nacionais, se apressou a valorizar o facto de ter sido um colégio privado a ter os melhores resultados nos Açores.

Em declarações à comunicação social, o secretário regional da Educação validou “os rankings enquanto método de avaliação das escolas” e reforçou a mensagem de que “os exames é que contam e que o privado é que é bom”, acusa o deputado do BE.

António Lima alertou ainda para o facto de o atual modelo de edução estar a dividir os alunos em dois grandes grupos: “os que podem pagar explicações e os que não podem”.

É o próprio Conselho Nacional de Educação que refere, no último relatório do “Estado da Educação”, que Portugal tem a percentagem mais elevada da Europa de alunos com explicações pagas de Matemática. António Lima lembra que “grande parte dos encarregados de educação não tem possibilidade de pagar explicações aos seus educandos”, e defende que a escola é que tem que garantir as respostas adequadas.

Os exames nacionais, catalizadores desta diferenciação, aliados à falta de capacidade de resposta das escolas, conduzem ao abandono escolar dos alunos de famílias mais desfavorecidas.