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BE denuncia clima de pressão e assédio moral baseado na humilhação na Cofaco

O Bloco de Esquerda denuncia o clima de enorme pressão, intimidação e assédio moral baseado na humilhação sobre as trabalhadoras da Cofaco, em São Miguel, e exige a rápida intervenção da Inspeção Regional do Trabalho.

Estas são as situações mais graves que chegaram ao conhecimento do Bloco de Esquerda, nas últimas semanas, através de várias queixas e relatos, verbalmente e por carta: limitações para idas à casa de banho que levam a que as trabalhadoras não consigam resistir a tantas horas de espera – o que, para além de pôr em risco a saúde, é humilhante –, proibição de falar na linha de limpeza de peixe assim como no refeitório – o que gera um ambiente de trabalho tóxico e militarista – e situações de discricionariedade na aceitação de documentos justificativos de faltas – o que tem levado à instauração de vários processos disciplinares com vista a despedimento.

“Em pleno século XXI estas práticas laborais, atentatórias da dignidade humana, não podem de forma alguma passar incólumes e têm de ser investigadas pelas autoridades competentes, para que terminem de imediato”, disse o deputado António Lima, que refere um agravamento deste panorama nos últimos meses.

“A pressão que as trabalhadoras relatam é tal, que é necessário haver uma denúncia pública, para que se garanta que a empresa efetivamente altere as suas práticas e mude a forma como trata as trabalhadoras. Exige-se respeito!”, disse o deputado do BE.

Tendo em conta que algumas das situações em causa são passíveis de constituir ainda discriminação sobre as mulheres no trabalho, o BE vai dar conhecimento do conteúdo dos relatos e das cartas que recebeu, não só à Inspeção Regional do Trabalho, mas também à Comissão Regional para a Igualdade no Trabalho e no Emprego dos Açores.

António Lima salienta que a Inspeção Regional do Trabalho “não se pode ficar por uma visita à fábrica e a inquirições à administração: é preciso que fale com as trabalhadoras para que ouça em primeira mão os relatos do clima insuportável, do ponto de vista laboral e humano, que se vive naquela empresa”.

Sob este clima de pressão e humilhação estão trabalhadoras que, apesar de terem um trabalho desgastante do ponto de vista físico e psicológico, recebem – na sua maioria – apenas o salário mínimo, e o seu contrato de trabalho não prevê qualquer progressão na carreira.

“Ninguém compreende que alguém fique 20, 30 ou 40 anos na mesma categoria profissional a ganhar o salário mínimo toda a sua vida. Isso não é aceitável”, disse António Lima, que defendeu, o aumento do salário mínimo e a existência de um acordo coletivo de trabalho que permita a progressão na carreira.