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BE desafia autarquia de Angra a acabar com abuso de trabalhadores ao abrigo de programas do Governo

O Bloco de Esquerda desafia a autarquia de Angra do Heroísmo a integrar nos seus quadros com um contrato de trabalho normal, todos os trabalhadores contratados ao abrigo dos programas de combate ao desemprego do Governo Regional que estejam a preencher necessidades permanentes dos serviços da autarquia. “Caso contrário, estamos perante uma situação de abuso, em que a câmara municipal recorre a mão-de-obra barata para preencher necessidades permanentes”, disse hoje o coordenador do BE, Paulo Mendes, numa conferência de imprensa sobre o orçamento de Angra do Heroísmo para o próximo ano.

Apontando o desemprego como o principal problema do concelho de Angra do Heroísmo, o BE considera que as soluções apontadas pela autarquia são insuficientes. Neste sentido, Paulo Mendes considera fundamental um forte investimento no apoio à reabilitação urbana de edifícios devolutos e abandonados, uma vez que isso permitiria criar emprego na área da construção civil, uma das mais afetadas pela crise.

O Bloco de Esquerda deixou também fortes críticas às opções da autarquia no que diz respeito ao investimento na cultura, considerando inaceitável que as verbas para apoiar a Feira Taurina sejam superiores à soma das verbas para quatro eventos culturais como o Angra Jazz, o COFIT (Festival Internacional de Folclore dos Açores), o Angra Rock e o Festival de Filarmónicas.

Paulo Mendes defendeu ainda o apoio aos grupos de teatro do concelho – que não recebem qualquer verba da autarquia –, assim como às danças e bailinhos de carnaval.

No que diz respeito ao Ambiente, o Bloco de Esquerda deixou uma série de questões sobre a forma como será efetuada a transferência de resíduos do aterro para a incineradora, e que custos ambientais e económicos estão previstos, e voltou a defender a criação de um plano de arborização para a cidade, “que ainda tem muitas ruas carecas, sem árvores”, referiu o líder do BE.

Quanto ao orçamento participativo, Paulo Mendes acusa a autarquia de continuar “a vender gato por lebre” e a fazer de conta que o está a implementar.

“Um Orçamento Participativo não se faz em duas horas e não é a transformação do presidente da câmara num pai natal que distribui umas prendas”, ironiza o dirigente do Bloco, acrescentando que este instrumento “tem um carácter apartidário e promove a participação directa da população, por isso não fez sentido a participação de juventudes partidárias, como está a acontecer em Angra”.