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Catarina Martins alerta para os perigos da concessão da exploração do mar a privados

No encerramento da VI Convenção Regional do BE/Açores, Catarina Martins alertou para os perigos da concessão da exploração do mar dos Açores a empresas privadas, e defendeu que a Região e o Estado não se podem desresponsabilizar da gestão dos seus recursos naturais, que têm que ser geridos de uma forma sustentável: “Podemos estar sentados em cima de um pote de ouro, mas ele vai esvaziar-se e nenhuma das moedas vai ficar nos Açores” se o mar for concessionado a privados.

“A riqueza que é aqui gerada tem que servir quem aqui vive”, salientou a líder nacional do BE, que defende uma aposta no conhecimento e na tecnologia que permita uma exploração das riquezas do mar sem as destruir, em vez de uma exploração extrativa e predatória que terá efeitos negativos no futuro.

Catarina Martins referiu o momento de crescimento que o turismo regista nos Açores, salientando que a este crescimento está associado o aumento de trabalho precário.

“O combate à precariedade tem que ser uma prioridade”, disse a coordenadora do BE, “porque  quem é precário ganha menos pelo mesmo trabalho”, “sabe a que horas entra, mas nunca sabe a que horas sai”, e “não tem direito a organizar a sua vida”.

“Algo vai mal numa economia em que os preços sobem, por pressão do turismo, e os salários baixam, e de repente, quem trabalha no turismo não tem dinheiro para aqui viver”, alertou Catarina Martins.

A líder nacional de BE destacou ainda, no discurso de encerramento da convenção do BE/Açores, a necessidade de um aumento no investimento em serviços públicos, como a Saúde, Educação e Transportes, para combater a desigualdade territorial que se faz sentir numa Região ultraperiférica como os Açores.