Share |

Governos da República têm primado pelo esvaziamento económico do Faial

A onda austeritária protagonizada pelos últimos governos da República, independentemente da sua cor partidária, tem primado pela retirada de instituições e serviços à Ilha do Faial, disse o candidato do BE pelo círculo eleitoral dos Açores, Mário Moniz.

É certo que parte dessa retirada tem contado com a complacência e, até mesmo, conivência do Governo Regional, mas isso não invalida responsabilidades aos governos da República.

O local onde nos encontramos é um dos vários exemplos que apontamos. O Exército abandonou este quartel sem dar qualquer importância aos impactos sociais e económicos desta decisão. O mesmo se passou com a Rádio Naval. A Cadeia está em progressiva degradação, enquanto se cria um mega campo de concentração na Ilha Terceira, privando os reclusos do contato com as suas famílias e amigos.

O conluio entre governos da República, quer PS quer PSD, e Regional - por explicar no que respeita aos transportes aéreos - tem-nos prejudicado em toda a linha, desde o sempre adiado aumento da pista do aeroporto da Horta, ao abandono pela TAP deste destino e consequente encerramento das suas instalações no Faial, com todo o prejuízo social e económico resultante.

A falta de apoio financeiro ao Pólo Universitário do Faial tem levado à redução drástica de cientistas e à sua consequente saída desta ilha, empobrecendo a nossa massa crítica e diminuindo a sua população, ao mesmo tempo que provoca o seu definhamento. Agora todos se arvoram em pais duma proposta que o Bloco de Esquerda reivindica há mais de dez anos para a Ilha do Faial, o Centro de Investigação com sede no DOP.

Os nossos problemas são protelados de governo para governo, de PSD para PS e de PS para PSD, de tal forma que, quer um quer outro não são solução, mas, sim, parte integrante e causadora dos nossos problemas.

São governações à vista, com decisões extemporâneas, ao sabor das clientelas partidárias e dos interesses financeiros instalados que, agora, se acusam mutuamente sem assumir as suas responsabilidades. Ao mesmo tempo arvoram-se hipocritamente em defensores das nossas reivindicações.

Não basta mudar de Governo. Temos de mudar de política. A alternância PSD/PS não resolve, apenas adia a solução do problema. Impõe-se a necessidade duma voz açoriana isenta na Assembleia da República que não esteja enfeudado às manobras, influências e interesses dos partidos que assaltaram o poder. O Bloco de Esquerda tem provado ser a força mais capaz desse desempenho e de merecer essa confiança.