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PS bloqueia medidas de proteção do emprego no processo de venda da fábrica de Santa Catarina

A proposta do Bloco de Esquerda que pretendia salvaguardar os postos de trabalho na fábrica de Santa Catarina, em São Jorge, a longo prazo e mitigar os efeitos negativos da privatização da empresa – processo com que o BE não concorda, mas que o Governo Regional já pôs em marcha – foi rejeitada pelos votos contra do PS e do PCP.

A iniciativa recomendava que o caderno de encargos da privatização da fábrica conserveira Santa Catarina impusesse as seguintes condições aos futuros proprietários: manutenção dos atuais postos de trabalho a longo prazo, manutenção da propriedade das marcas de atum, manutenção da principal unidade de produção da empresa na ilha de São Jorge, e a modernização tecnológica da fábrica.

António Lima, deputado do BE, acusou o PS de “contorcionismo político” porque afirma estar de acordo com estas condições, mas vota contra. “Isto só pode ter um significado: ou é puro sectarismo, porque o PS não querer aprovar uma proposta só porque é do BE, ou então, o PS não quer assumir os compromissos que a aprovação da proposta implica. Presumo que seja a segunda hipótese”, disse o deputado.

“O caderno de encargos da privatização não pode ser um cheque em branco que permita ao comprador encerrar a fábrica ou deslocalizá-la alguns anos depois. Já vimos esse filme, com a Cofaco, que depois de ser privatizada, já encerrou duas unidades industriais, na Horta e na Madalena”, alertou o deputado, que recordou que neste processo passado a intenção do PS de defender os trabalhadores também foi assumida, mas nunca foi concretizada.

António Lima salientou o que se passou na votação do Orçamento de Estado que está em vigor, em que a proposta do BE para a majoração dos apoios sociais aos trabalhadores que foram despedidos da Cofaco do Pico foi rejeitada pelo PS, e foi inviabilizada pela abstenção do PSD, mesmo depois de estes partidos já terem manifestado anteriormente estar a favor da medida.

“O PS diz uma coisa, mas quando chega a hora da verdade faz outra”, acusa António Lima. Por isso, o BE pretendia que o compromisso com a defesa do emprego e da manutenção e modernização da fábrica de Santa Catarina fosse assumido oficialmente pelo parlamento, em vez de ficar apenas por um conjunto de intenções manifestadas pelo Governo.

Está em causa uma indústria que concentra mais de 3% da população ativa da ilha, e que gera também muito emprego indireto, por isso “Santa Catarina é atualmente imprescindível a São Jorge”, concluiu o líder parlamentar do BE.