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PS e partidos de direita são cúmplices na diminuição de apoios da UE ao sector do leite

PS, PSD e CDS são cúmplices na degradação do sector do leite nos Açores, não só por terem aceite o fim das quotas na União Europeia, mas também por, recentemente, terem votado a favor do início da constituição do exército europeu, um projeto que vai exigir um esforço financeiro enorme, e que vai reduzir os fundos estruturais da União Europeia. A acusação foi feita hoje pela deputada Zuraida Soares no âmbito de um debate de urgência sobre o sector do leite.

“Os açorianos e as açorianas têm de perceber a artimanha que é defender, nos Açores, uma coisa e votar, na República, exactamente, o seu contrário”, disse a deputada do BE, que apontou vários exemplos.

“Quando aconteceu o fim das quotas leiteiras, quer PS, quer PSD - cada um, à sua vez –, negociaram e aprovaram o fim destas. Na altura, não se ouviu qualquer protesto ou qualquer proposta de derrogação, em relação aos Açores, por parte destes partidos”, assinalou a líder da bancada do BE, acrescentando que “depois, vêm para os Açores e gritam 'Ai, Ai, Ai, que eles são muito maus'”.

Além disso, recentemente, tanto o PS, como o PSD e o CDS votaram contra uma proposta que pretendia garantir um estatuto especial à insularidade distante e que, dentro deste estatuto, fosse contemplado o direito à derrogação das políticas comuns. “Ou seja: na Assembleia da República, estes partidos votam contra medidas que poriam os Açores a resguardo de diversas penalizações. Mas depois, quando chegam aos Açores, avançam com as propostas que chumbaram e gabam-se de apoiar os memorandos das RUPs”, disse Zuraida Soares.

A líder parlamentar do BE apontou ainda outros exemplos. Em 2015, estes três partidos chumbaram, na Assembleia da República, uma recomendação do BE no sentido de reivindicar, junto das instituições europeias, uma linha excepcional de apoio aos produtores de leite de zonas ultraperiféricas, e uma recomendação para que Portugal reivindicasse, junto das instituições europeias, a reformulação da aplicação das ajudas diretas aos agricultores, nomeadamente, o regime de pagamento base e a ecologização (greening), substituindo o "histórico" - como base para o cálculo e acesso às ajudas - por critérios regionais, de acordo com as especificidades culturais e estruturais de cada região.

“Não faltam provas concretas de uma história mil vezes repetida: na República, estes partidos fazem de uma maneira; nos Açores, contam aos empresários e aos trabalhadores deste sector uma história muito diferente”, lamentou Zuraida Soares.