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PS e PSD não querem ouvir a opinião das pessoas sobre a incineração

A deputada do BE na Assembleia Municipal de Ponta Delgada acusa o PS e o PSD – que chumbaram esta tarde a proposta do BE para a realização de um referendo em Ponta Delgada ao projecto de incineração previsto para São Miguel – de tomarem decisões de forma unilateral sem quererem ouvir as pessoas.

Lembrando que “o voto dos cidadãos numa força política não é um cheque em branco que isenta os eleitos de fundamentarem as suas decisões”, principalmente quanto estas opções não foram assumidas antes das eleições, Vera Pires lamenta particularmente o voto do PSD contra o referendo, tendo em conta que o presidente da autarquia tem apregoado boas intenções de ‘democratizar a democracia’.

“Estamos a tempo de optar por uma alternativa à incineração – essa alternativa existe e é vantajosa, porque não agride a natureza, porque não constitui perigo para a Saúde Pública, porque cria mais emprego em todas as ilhas, e porque é mais económica”, disse a deputada municipal do BE, referindo-se ao Tratamento Mecânico e Biológico (TMB).

Uma posição partilhada pelas associações ambientais “Amigos dos Açores” e “Quercus”, que enviaram ao BE pareceres que arrasam não só a escolha, mas também todo o processo que levou à opção pela incineração para o tratamento de resíduos nos Açores.

“A continuação da aposta no projeto de incineração de resíduos indiferenciados, sem pré-tratamento através de TMB, é um atentado ao ambiente por desperdiçar milhares de toneladas de resíduos recicláveis, é um caso de má gestão do erário público e um exemplo de falta de transparência devido a inexistência de estudos de sobre soluções alternativas”, acusa a Quercus.

Já a Associação Amigos dos Açores aponta “lacunas graves ao nível da participação pública”, uma vez que o processo de decisão associado ao tratamento de resíduos sólidos urbanos por incineração não foi suficientemente participado, salientando que a incineração nem foi apresentada nos programas eleitorais dos partidos que presidem as autarquias que constituem a Associação de Municípios de São Miguel, que é promotora do projecto.