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Saudaçor só serviu para esconder dívida e devia ter sido extinta há muitos anos

Depois de recusar por diversas vezes propostas idênticas do Bloco de Esquerda – a mais recente foi no orçamento para 2017 – o Governo Regional avançou, finalmente, com a extinção da Saudaçor, uma empresa que só serviu para esconder a dívida e a suborçamentação do sector da Saúde.

Já em 2012, no âmbito da reestruturação do Serviço Regional de Saúde, o Bloco de Esquerda tinha proposto formalmente ao Governo Regional a extinção da Saudaçor e a integração de todos os seus trabalhadores na administração pública, mas o PS e o Governo sempre o recusaram.

O que fez o Governo mudar de ideias foi o facto de recentemente, por imposção da União Europeia, as dívidas das empresas públicas passarem a estar incluídas na dívida da Região. Perante estas novas regras, a Saudaçor deixou de poder ser utilizado como instrumento para esconder dívida, e perdeu, assim a sua utilidade para o Governo Regional.

No debate do diploma que determina a extinção desta empresa pública, hoje, António Lima, deputado do BE, acusou o Governo Regional de ter feito uma encenação para confundir a opinião pública, ao tentar dar a entender que a extinção da Saudaçor permitia poupar 8,6 milhões de euros. A verdade é que esta operação de reestruturação da dívida podia ter sido feita pelo próprio Governo dos Açores, aproveitando as políticas monetárias empreendidas pelo Banco Central Europeu, desde 2010, de compra de dívida pública e baixa de juros.

“Uma coisa é certa: os méritos da Saudaçor propalados pelo Governo ao longo dos anos afinal não existiam”, se fossem verdade, não se perceberia porque agora, de repente, o Governo iria extinguir a empresa.