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Vigília em protesto pela saída da TAP do Faial e pelo abandono da ilha pelos governos da Região e do País

Estamos aqui reunidos para demonstrar a nossa indignação, o nosso protesto, por mais uma vez, à nossa Ilha, à nossa cidade serem retiradas valências que dificultam, se não mesmo impedem, o seu desenvolvimento.

Para o Faial, o resultado das alterações de serviço público nos transportes aéreos foi o fim das rotas assumidas pela TAP.

Para além disso, esta decisão põe em risco mais alguns postos de trabalho, contribuindo também, por via disso, para o desemprego na ilha e para retrocesso do seu desenvolvimento económico.

É esta decisão mais um roubo perpetrado contra a nossa ilha no seguimento de outros de que nos últimos tempos temos sido alvo.

Foi a deslocalização da COFACO que retirou da nossa ilha a sua principal indústria, contribuindo para o nosso empobrecimento.

Foi a Estação Naval que, ao contrário de toda a opinião técnica, foi deslocalizada por razões meramente políticas mas que constituiu mais uma machadada na nossa já pobre economia.

Estamos, pois, perante, quer no que respeita à República, quer no que respeita ao Governo Regional, apesar de todas as declarações em contrário, a ser roubados nos nossos direitos e na nossa capacidade de progresso.

Mas esta negação da ilha do Faial não pára por aqui.

Os recentes cortes nas bolsas de estudantes de mestrado e doutoramento assim como os cortes em investigação levados a cabo pela Fundação da Ciência e Tecnologia – FCT – mas também pelo Governo Regional, são mais um duro golpe na nossa afirmação.

A Cidade Mar – como somos designados – é cada vez mais uma miragem.

Quando, quer o Governo, quer a Câmara, promovem debates e fóruns sobre a importância da economia do mar, o DOP vê diminuído o seu potencial de investigação e de criar riqueza.

Mas não só a nossa ilha tem sido espoliada como tem sido humilhada por parte dos poderes regionais e centrais.

É indecoroso que, passados vários meses da morte por acidente de um nosso conterrâneo nas carreiras marítimas ainda não se saiba as razões profundas das causas deste acidente e, por incompreensível que seja, o Governo Regional nomeia para as investigações do inquérito elementos da empresa que concebeu os barcos.

Ao mesmo tempo que faz isto impede que a Assembleia Legislativa coloque em funcionamento uma comissão de inquérito ao triste acidente.

Esta vigília é um primeiro passo para mostrar aos poderes instituídos que já chega de brincar, roubar e humilhar os faialenses.

É também incompreensível que o Governo Regional não tenha ainda dado execução a uma Resolução aprovada por unanimidade, há mais de um ano, na Assembleia Legislativa Regional, que determinava que a empresa que resultasse da fusão da Atlanticoline com a Transmaçor tivesse a sua sede no Faial, assim como o essencial dos seus serviços, mas já nomeou, em São Miguel, o novo Presidente do Conselho de Administração da Atlânticoline. Agora não houve problema de não ser alguém do Triângulo, quando há quadros destas ilhas nas suas hostes com experiência, competência e conhecimento comprovados nesta área.

Estamos aqui reunidos para protestar com a saída da TAP em solidariedade com os seus trabalhadores do Faial mas também para protestar contra o tratamento que tem sido dado à nossa ilha.

Porque isto não pode continuar os cidadãos faialenses, aqui reunidos, propõem que se dê inicio a uma petição à Assembleia Regional para que o Governo Regional cumpra com a Resolução aprovada por unanimidade na Assembleia para que a sede da empresa dos transportes marítimos dos Açores seja, sem demora, instalada no Faial.