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O «diabo» veste subserviência

António Ventura, tal como o seu líder nacional – Pedro Passos Coelho – está sempre à espera da vinda do «diabo» ou, por outras palavras, da geringonça vir a desengonçar-se pelas 1001 desgraças originadas pelo alívio da austeridade que afligiu os portugueses. Há, portanto, um desejo latente de que estas novas políticas deem para o torto, e que o poder retorne ao PSD.

Só esta ansia por ver o «diabo» em tudo poderá explicar a persistência de António Ventura em acusar o BE pela alegada complacência e subserviência do governo da República para com a Administração norte-americana quanto à descontaminação dos aquíferos na Praia da Vitória.

A imposição de uma moratória para a desmilitarização norte-americana da base das Lajes, tal como o BE defende desde sempre, não implica a desresponsabilização dos norte-americanos pela contaminação que produziram, e muito menos da obrigação de procederem à descontaminação.

Vamos ser claros, simples e muito concretos. A acusação que António Ventura faz recair sobre o BE é como se a denúncia de um contrato de arrendamento implicasse a desresponsabilização do inquilino por qualquer dano provocado na propriedade que ocupou e o desvinculasse de qualquer obrigação de reparação.

O que António Ventura sugere é que o poluidor só poderá despoluir se mantiver a sua presença, no local, e a atividade que provocou a poluição.

O BE, já deu provas, mais do que suficientes, de não alinhamento em atitudes diplomáticas subservientes na relação com qualquer país. Essa é a razão que nos leva a não partilhar a perspetiva de subserviência do atual ministro dos Negócios Estrangeiros, que se encontra muito mais próxima da política diplomática da era Barroso, expressa na famigerada Cimeira das Lajes.

Para que não restem dúvidas, o BE não procura alternativas para aproveitar, em toda a sua plenitude, a base das Lajes, o conhecimento acumulado dos seus trabalhadores portugueses e a nossa posição geoestratégica em operações de charme, de utilidade duvidosa, com congressistas que, apesar de luso-descendentes, não deixam – como é lícito esperar – de representar e defender os interesses do seu próprio país. Para o BE, a procura por alternativas deve partir da iniciativa do Governo da República em concertação com o Governo Regional e entidades locais, sem vistos prévios, ou à posteriori, de quem quer que seja, em estrita consideração pelo bem-estar e viabilidade do futuro da economia da Região e, especialmente, da ilha Terceira.

São já vários os sinais de que o BE leva a sério o problema da contaminação dos aquíferos na Praia da Vitória, desde iniciativas legislativas na Assembleia Legislativa da nossa Região até à recente e inédita iniciativa apresentada na Assembleia da República, ação que mais nenhum partido levou a cabo, e que mereceu aprovação unânime.

Fica claro que o «diabo» se vier, ou se já estiver na Terceira, não veste BE. O «diabo» veste-se de subserviência, e esse é um guarda-roupa que o PSD bem conhece.