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O Desemprego não é uma fatalidade

Em Portugal e nos Açores vivemos tempos difíceis que envolvem, principalmente, o desemprego. A nossa Região atinge níveis inimagináveis entre a população ativa. Mas podemos dizer que se trata de um problema fatal? Algo que tem que acontecer? O desemprego não é uma fatalidade. Trata-se de uma contingência humana, gerada pelo egoísmo, que provoca lamentáveis desníveis, envolvendo, nos extremos, gente que tem tudo e gente que não tem nada. 

Se é uma contingência gerada, principalmente pelo egoísmo, o que poderá ser feito em relação ao assunto?

O altruísmo, antípoda do egoísmo, é o caminho, na medida em que se nos habituarmos a pensar no bem-estar de todos, superando a tendência de cuidarmos apenas dos interesses pessoais e exercitarmos a imaginação, criaremos condições para que todos tenham trabalho e possam, assim, prover a própria subsistência.

Há multidões que veem passar meses e anos, sem alcançar o sonhado emprego. Não será um motivo mais que justificado para promover um repensar coletivo do problema?

Em países onde a economia parece ir bem, serão os seus habitantes menos devedores que nós? Melhores que nós? 

Quem convive com essas populações sabe que a resposta é negativa. São muito individualistas, porquanto é o egoísmo individual que, projetado na consciência dessas nações, as leva a recusar ajuda efetiva aos países pobres, sustentando, não raro, a sua riqueza a partir de uma exploração dos mesmos e da manutenção da sua situação de pobreza.

O desemprego é referido como um problema. Então é contraditório falar dele como uma fatalidade. Uma fatalidade não é um problema, é, antes, um facto assumido como não tendo resolução. 

O desemprego não é assim. O desemprego é uma consequência histórica do confronto entre quem dispõe do poder económico e financeiro e quem dispõe, apenas, da sua força e capacidade de produção. 

É a luta desigual entre o capital e o trabalho em que os poderosos descartam o recurso que lhes fica à mão e, mais facilmente, conseguem recuperar, e quanto mais desemprego houver, menos complicado se torna esse jogo indecente.

Está mais que provado que o maior estrangulamento das empresas está ao nível de outros custos de produção: o aumento da energia elétrica e dos combustíveis, bem como a dificuldade no acesso ao crédito e o custo desse financiamento. Não é o custo da mão-de-obra.

Mas o ataque é sempre aos mais fracos, e quanto mais flexível, melhor. Mas, o desemprego, sendo uma terrível consequência para os trabalhadores é um meio precioso para os poderosos. Foi por isso que a direita concentrou todos os seus esforços na alteração à Lei do Trabalho para repor a situação do trabalho à jorna do século XIX. A Humanidade está prestes a recuar mais de 200 anos.

E aí está, entre nós, o resultado prático e mais recente desta forma de proceder: o despedimento duma dezena de trabalhadores só no hipermercado Continente, na Horta, num total, por enquanto, de 36 despedimentos nos Açores. Têm vindo a destruir o nosso pequeno comércio com a promessa de preços mais baratos e da criação de emprego, quando o resultado prático dessa promessa é mais desemprego e os preços mais elevados dos Açores.