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O Ranking das Escolas é uma aldrabice

“O colégio que ficou em primeiro lugar do Ranking das Escolas 2017 é uma das 16 escolas que inflacionam, sistematicamente, as notas dos seus alunos, segundo dados do Ministério da Educação analisados pela Lusa” (ZAP/Lusa, 3/02/2018).

Várias escolas secundárias dão sempre notas mais altas do que seria merecido, permitindo a um aluno passar à frente no acesso ao Ensino Superior. Das 16 escolas que inflacionaram notas em 2017, 13 são privadas. Esta burla, que não é de agora, é mais um sinal do Ensino transformado em negócio que mina o princípio da honestidade no público ao ficar em desvantagem perante as vigarices do privado.

A imagem enganadora do ranking escolar, porque demasiado simplista na sua aferição, não reflete a realidade de cada escola nem o nível de conhecimento ou a evolução atingidos pelos seus alunos. Mas é a forma mais eficaz de denegrir a escola pública fazendo crer que nas escolas privadas os alunos atingem melhores notas, portanto, devem ser melhores.

Porém, esta aldrabice tem muitas vezes um desfecho angustiante e penalizador para os alunos cujos papás andaram a pagar exorbitâncias para que os meninos vissem facilitado o seu acesso ao ensino superior. Aí, até no privado, é vê-los a marcar passo, a transferir-se de curso para curso, de faculdade para instituto, de instituto para faculdade, até conseguir um “canudo” que de pouco lhes servirá se for numa área técnica.

Contradição do privado, paga o “canudo” dos seus meninos, mas quando quer engenheiros para as suas empresas procura-os nos Institutos e Faculdades públicas preterindo os seus próprios protegidos. Aí o ranking não conta para nada.

A solução é tê-los com cartão duma juventude partidária com influência política. Sempre se há-de arranjar um “tacho” para o menino. No entretanto vão dizendo “temos pena”, é o negócio, é o sistema a funcionar. E assim se cultiva um pouco mais a ignorância em Portugal.