Share |

Os nossos idosos e as nossas idosas merecem

Todos/as nós sabemos que a evolução levou a que, gradualmente, hábitos se fossem alterando na sociedade.

As exigências das rotinas, que se impuseram na vida quotidiana, levaram a que muitos dos netos deixassem de ter o privilégio de crescer com os avós, que os filhos/as não pudessem cuidar dos pais, surgindo os lares para idosos que na verdade são um mal necessário à sociedade.

E são um mal necessário porque são os lares que providenciam os cuidados necessários a pessoas que não têm alternativa, às famílias que não tiveram opção, sendo que, muitas vezes, este é o último recurso.

Entre situações de perda de autonomia física e/ou mental ou simplesmente a solidão, a verdade é que esses espaços albergam cada vez mais pessoas que carregam, consciente ou inconscientemente, anos de luta e encerram em si próprios um mundo sem fim de histórias.

Passam os dias esperando por outros dias que também passarão. Vivem entre as refeições, algumas conversas, poucos diálogos, muitos monólogos interiores, e olhares tão cheios do vazio que na maior parte das vezes lhes preenchem os dias.

Essas pessoas, homens e mulheres, com idade mais, ou menos, avançada, necessitam de todo o conforto, de todos os cuidados, de toda a atenção.

Que nunca se caia no erro de entender estes lugares como o “último”, mas sim como a extensão das suas casas, com a função supletiva da família.

Que nunca se perspective como dinheiro perdido, sem retorno. Aquelas pessoas, na sua maioria, descontaram toda uma vida também para isto. Para o seu bem-estar!

Entenda-se como um investimento na qualidade das relações humanas, no respeito e no futuro porque, salvo excepções, todos e todas nós alcançaremos essas idades e aquilo que receberemos será aquilo que trataremos de trabalhar/desenvolver no presente.

Não podemos conceber lares sem serviço regular de profissionais da área da saúde, sem número suficiente de funcionários, sem formação na área geriátrica.

Não querendo de forma alguma diminuir a capacidade das pessoas desempenharem as suas funções, a verdade é que quem lida diariamente nestes serviços só terá a beneficiar com mais formação, bem como as pessoas que recebem os seus cuidados.

Mas para que isto aconteça é necessário que as entidades competentes, neste caso concreto a Secretaria Regional da Solidariedade Social, perceba a realidade e intervenha com aquilo que é necessário: recursos financeiros que permitam dotar estes espaços de recursos humanos habilitados a dar respostas cada vez mais eficazes. Aos órgãos sociais destas IPSS (ressalvando o seu serviço voluntário) caberá uma gestão eficiente que nunca coloque em causa o bem-estar físico e emocional de todo e qualquer utente.

Finalizando, por agora, que estes lugares sejam exemplo na manifestação e troca de afectos porque todas as pessoas têm direito à dignidade, independentemente das suas patologias e da sua, mais, ou menos, avançada idade biológica.