Share |

Proposta rejeitada com 29 votos contra…

Poucas linhas resumem aquele que foi o debate do Plano e Orçamento da Região para o ano de 2018. Muitas mais foram aquelas que, fazendo uso de recursos estilísticos, tentaram fazer crer que este seria o início de um novo ciclo.

Escreverei de forma simples e resumirei aquilo que me vai na alma, digamos.

Considerar este orçamento como um novo ciclo, significa que, até então, andaram todos os membros do Governo Regional e do Grupo Parlamentar do PS alienados da realidade regional. Ao contrário do que nos quiseram fazer acreditar, à semelhança de outros orçamentos, este vem, bem ao jeitinho do socialismo deste PS, agravar as desigualdades sociais, privilegiar os patrões, desrespeitar os trabalhadores, privatizar infraestruturas e recursos determinantes para a região, entre outros.

Na memória, como se de uma música que ouvimos repetidamente, ficou-me “proposta rejeitada com 29 votos contra…” Porque me ficou na memória? 29 votos contra de quem?

Os 29 votos contra correspondem aos elementos, presentes no ato da votação, que integram o Grupo Parlamentar do PS. Ficou-me na memória por ter sido a frase mais repetida durante todo o debate.

Face às muitas propostas de alteração, eliminação e aditamento ao Plano e Orçamento, a frase mais ouvida, foi a da rejeição por parte da maioria do PS. Estamos a falar de propostas que foram elaboradas pelo interesse colectivo, válidas para todo/a e qualquer cidadão/ã. Estamos a falar de propostas que fariam a diferença para toda a região, mas que a arrogância e prepotência de um governo com maioria absoluta se dá ao luxo de simplesmente rejeitar porque… porque sim!

Na verdade, e após a leitura do comunicado do PS que se regozija com o facto de ter feito aprovar propostas de todos os partidos (como se fizessem um favor à democracia) ficam duas ideias: de que existem quotas definidas para aprovação de propostas da oposição e a de que as palavras do líder parlamentar do PS, que referem acolher todas as propostas que contribuam para a ação governativa do partido socialista, não passam disso mesmo. Não passam de palavras, pois caso contrário outras mais teriam sido aprovadas.

Caras e caros, resumindo e concluindo, fica clara a diferença entre um PS que na Assembleia da República necessita de negociar para governar e um PS que com maioria absoluta faz aquilo que bem quer e entende, independentemente de ser ou não o melhor para a região.

Neste caso concreto: não, não foi feito o melhor. Nada de novo. Não saímos do ciclo de décadas.