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Saúde, também para São Jorge

São Jorge é uma das seis ilhas do arquipélago dos Açores sem hospital e como tal todos os que cá vivem já estão penalizados por não ter acesso direto aos serviços por ele prestados. É necessário colmatar as lacunas existentes para que, quando os utentes precisem dos acessos à saúde hospitalar nomeadamente às consultas de especialidade, cirurgias ou tratamentos existam meios de minimizar essas diferenças.

Nesta linha de ideias é necessário que o Governo dos Açores assuma para São Jorge, maior diversidade de especialidades médicas a visitar a ilha. É necessário que o Governo dos Açores assuma para São Jorge maior número de vindas ao longo do ano e com maior regularidade dos médicos especialistas à ilha. É necessário que o Governo dos Açores assuma para São Jorge mais tempo de permanência dos médicos especialistas aquando das suas vindas à ilha para que as mesmas não se concentrem apenas no último ano de cada legislatura. É necessário que os utentes da ilha de São Jorge possam ter acesso às consultas de especialidade e por conseguinte, mais célere e em tempo útil, o despiste, o encaminhamento e resolução das situações e não, de vez em quando como se se tratasse de estatísticas e números que aparecem nas visitas estatutárias e de 4 em 4 anos.

Na saúde, e também em São Jorge é necessário repensar-se a deslocação dos utentes quando necessário deslocarem-se a outra ilha para ter acesso aos cuidados de saúde, primeiro na desburocratização do processo de deslocação, desde a credencial ao reembolso da estada fora da ilha, segundo, pensar na criação de regras na reserva de lugares na transportadora aérea, no mínimo, o número de lugares para uma maca e seus acompanhantes entre a ilha de São Jorge e a ilha com hospital de referência. Não é aceitável que um doente fique em lista de espera para sair da ilha ou que se desloque de barco por não haver alternativas.

O Bloco de Esquerda também defende no seu manifesto eleitoral a nível regional a abolição das taxas moderadoras como medida de acesso à saúde, como é sugerido na alínea a) do nº 2 do 64º artigo da Constituição Portuguesa que refere “tendencialmente gratuito”.

É com tristeza que me apercebo que muitas vezes na saúde, área em que o ponto fulcral são as pessoas e o seu bem-estar, sabendo que quando recorrem a um centro de saúde é porque precisam ou porque estão fragilizadas, não sejam vistas como o ponto fundamental da existência deste sector e, que se tente cada vez mais equiparar a uma empresa do que um centro de saúde. Situações de controlo de gastos que mais parece uma empresa competitiva, quando na realidade o que é importante é tratar das pessoas e salvar vidas. O que queremos é a humanização da saúde em São Jorge, apostar na fixação das pessoas na ilha através de contratos de trabalho, pessoas com formação e em número suficiente ao bom funcionamento da instituição. Não é possível manter serviços de saúde com estagiários ou pessoas em programas ocupacionais a assegurar responsabilidades para as quais não estão preparadas e tratando-se por vezes da intimidade das pessoas.

Heliporto na Ribeira Seca, projeto do manifesto eleitoral do Partido Socialista de 2008, de grande importância para a saúde no concelho da Calheta, já se fez um estudo para se saber onde seria a melhor localização, já se investiu num terreno para a sua implantação, pergunto agora, depois destes gastos porque desapareceu esta obra, que já fez ganhar votos, das intenções a concretizar na ilha de São Jorge?

Hoje, encontrei uma senhora que me deu os parabéns por trazer novas ideias e que tinha gostado da minha prestação no debate da RTPA, referiu que me tinha esquecido de falar no Heliporto, esta senhora tem toda a razão, não só pelo assunto em si que é de extrema importância para a melhoria da qualidade da saúde na evacuação de pessoas. Estou nesta caminhada para defender a ilha e quem cá vive e, sendo a nossa democracia representativa, será essa a minha função, dar a cara em prol de São Jorge, das suas entidades públicas, privadas e acima de tudo, das pessoas, pois são estas que têm o poder de entregar a sua representação em quem as defenda.