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SATA, manifestações e manipulação de números

Qualquer governante que se preze de tal cargo e que presencie, na mesma ilha, duas manifestações com objetivos complementares – aeroporto e transportes aéreos - em tão pouco espaço de tempo, deveria refletir sobre o assunto.

Não vou discutir o número de presenças porque a justeza duma reivindicação não se mede pela quantidade, mas pela razoabilidade do objetivo da exigência.

Quando uma única pessoa se manifeste publicamente por uma causa justa, algo vai mal e merece atenção. Mas, quer na anterior quer na recente, esteve uma percentagem bem representativa da população ativa do Faial.

Se, em Lisboa, com cerca de 510 mil habitantes, uma manifestação com 5 mil pessoas é uma grande manifestação, no Faial cerca de 400 pessoas representam 3% da população ativa, ou seja muito mais do que os menos de 1% de Lisboa.

Se os órgãos locais, representantes mais diretos destas pessoas, já “batem pé” contra a falta de respeito por esta Ilha e por quem nela vive, então o governante tem a obrigação de repensar a sua política, ouvir as pessoas e ponderar seriamente se não anda a fazer asneira grossa.

Não o fazendo, dará cada vez mais razão a quem pensa que a política deste governo em relação, não só ao Faial, mas a todas estas “ilhas de baixo”, que até ficam a uma latitude mais acima, é deliberada e tendente a destituí-las das suas capacidades e da vontade de lutar por um futuro melhor.

As pessoas que se manifestaram representam bem a revolta crescente dos faialenses. Os motivos para essa revolta existem e de tão caricatos provocam aquele estado de alma contraditório em que se ri para não ter de chorar.

Um único exemplo, e basta. Ao pedir uma reserva para uma viagem Horta-Porto obtive a seguinte proposta de percurso:

S4  152 R  23APR HORLIS HK2  1735   2100;

S4  129 U  23APR LISPDL HK2  2155   2320; 

S4  172 U  24APR PDLOPO HK2  0845   1155; 

Teria de ir para Ponta Delgada, via Lisboa, no dia 23 de abril. Pernoitar em S. Miguel e, só no dia seguinte, então viajar para o Porto. Haja paciência!