Share |

Será o verão a chegar!

Pelas estradas de toda a ilha já são visíveis movimentações no embelezamento de São Jorge, os pequenos arranjos por aqui e por ali, ou as tintas que vão aparecendo são seguramente demonstrações que os nossos representantes estão a trabalhar. Sim! Aqueles que foram eleitos pelo povo ou aqueles que foram instituídos pelo governo em cargos de representação. Preparam certamente a chegada do verão, a visita de todos que nesta altura do ano que agora se avizinha vão aparecer para conhecer, desfrutar ou recordar, enfim com a chegada do verão visitantes é que não vão faltar e, certamente que a anunciada visita do Governo à ilha de São Jorge para o final do mês nada tem a ver com esta azafama…   

Será que esta politica de limpar a casa, varrer para debaixo do tapete, é a decisão mais certa? Sempre que se ouve falar numa aparição de elementos do governo em São Jorge, parece não haver mãos a medir, parece ser necessário estar tudo limpinho, tudo direitinho para que os superiores pensem que somos muito certinhos e que temos todas as situações controladas! Será? Não, do meu ponto de vista, não! Penso que a imagem que os membros do governo levam de São Jorge numa situação dessas é que está tudo bem e que são Jorge não precisa de nada, o que não é verdade e apenas o que se conseguiu, foi iludir quem nos veio visitar e saber como estamos por cá. Penso que todos, sejam dirigentes, representantes, nomeados ou população temos de unir forças e dizer o que não está bem, é preciso falar do despovoamento que nos tem assolado nos últimos anos, nas dificuldades que temos passado pela insularidade e pelo isolamento específico das ilhas com menos população como é o nosso caso.

Falemos então de acessibilidades! Ainda não é verão e já existe uma enorme dificuldade em se conseguir lugar nos voos de e para São Jorge. Será que vamos continuar como no ano passado sem se poder entrar ou sair da ilha por via aérea porque simplesmente não existem lugares disponíveis, mais preocupante são os utentes que precisam de sair da ilha para se fazerem chegar a um hospital e não o conseguirem fazer simplesmente porque os voos estão lotados. Quem vive nas ilhas com hospital não faz ideia do que é querer ir ao hospital e não poder porque o meio de transporte está cheio. E por outro lado, o governo a fazer as suas estranhas leituras dos dados da estatística, assumindo o total do ano e não a sazonalidade específica, do meu ponto de vista parece errado. Que eu saiba serviço mínimo e serviço publico são coisas diferentes, sazonalidade outra, e se a empresa Sata pretende ter lucro por estes lados, certamente não se pode ficar pelas primeiras duas e tem de aproveitar a terceira, a sazonalidade, para fazer mais viagens nas alturas que tem mais pessoas que pretendem viajar para conseguir alcançar esses rendimentos, a mim parece-me ser lógico esse tipo de politica, mas certamente devo ser dos poucos a ver desse modo!

Outras acessibilidades que os nossos responsáveis na ilha eleitos pelo nosso povo ou aqueles que foram instituídos pelo governo em cargos de representação devem sem medo nem rodeios questionar e exigir soluções ao governo regional já nesta deslocação a São Jorge são os nossos portos:

Nas Velas, já não passou bastante tempo desde o inicio da obra? Não deveria estar já concluído este empreendimento? A adjudicação constava na Carta Regional de Obras Públicas 2013-2016 do Governo Regional e previa a sua execução em 24 meses? Hoje, já estamos em Maio de 2018…

Na Calheta, três assuntos bastantes pertinentes, por um lado a plataforma roll on roll off, saber se a obra decorre na normalidade, por outro lado como está a situação da eliminação baixio junto à entrada do cais e por ultimo, não menos importante, o suprimento da linha lilás, urge necessidade de se exigir que esta linha não desapareça e é urgente o seu restabelecimento, Calheta não pode ficar sem barco de passageiros pois esta é a única entrada directa do exterior de pessoas ao concelho, e se isso acontecer, Calheta continuará a perder a viagem de acompanhamento dos restantes concelhos na evolução do turismo nos Açores.

No Topo, são necessárias certezas concretas para o inicio da obra do porto há muito prometida mas que até hoje não passam disso, promessas. Não esqueçamos que esta obra já esteve neste ponto de situação e o que é que aconteceu? Voltou à estaca zero! Portanto, enquanto não se iniciar a obra efectivamente, não há certezas.

Estes são apenas alguns dos temas relativos às acessibilidades que são necessários abordar na próxima visita do governo à ilha. Certamente que em todas as áreas onde o governo pode intervir, existe também défice de atenção. Seria interessante e não menos importante que quem tem responsabilidades políticas na ilha, sem excepção, lute e defenda de uma vez por todas, os reais interesses de quem vive em São Jorge e não se fique apenas por mostrar que os caminhos estão arranjadinhos e as paredes estão pintadas e que em São Jorge tudo está bem.