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Sinaga: incompetência e tachos

Estamos no final de 2017 e, portanto, em condições de analisar a saga da Sinaga.

Em 2010, o Governo Regional comprou 51% da empresa, pela módica quantia de 800.000 euros.

A primeira questão que, em devido tempo, levantámos ao Governo (e para a qual não obtivemos resposta) foi, como se explica a compra de uma empresa falida por esta verba, quando o Governo assume, simultaneamente, o passivo, o qual representava, na altura, mais de 13 milhões de euros.

Estranho negócio este….e, se já na altura, era muito questionável, hoje, passados que são 7 anos, o resultado aí está.

Negócio para amigos, obviamente. Os anteriores proprietários arrecadaram 800 mil euros, em dinheiro fresco e livraram-se do passivo que, num ápice, passou para a responsabilidade pública.

Este negócio ruinoso – repito -, nunca explicado, nos seus detalhes foi, então, justificado, como um elemento de primordial importância para diversificar a agricultura açoriana, não perder um activo industrial de relevo e defender os respectivos postos de trabalho.

Penso que, em 2010, o Governo conhecia bem os constrangimentos que rodeavam esta fábrica porque. Por exemplo: os problemas derivados da falta de beterraba, nos Açores, bem como a necessidade de importar ramas; os problemas derivados do atraso tecnológico da própria empresa, necessitando de um forte investimento tecnológico; e, acima de tudo, os constrangimentos de mercado e da liberalização deste, sob o comando da União Europeia.

Em declarações públicas, o Governo Regional assumiu, em 2010, que tinha um plano para a empresa e que esta, em 2013, estaria em renovada, produtiva, rentável e atractiva para voltar à esfera privada.

Ai! Ai! Hoje, já todos/as percebemos que, quando o Governo apresenta um plano, ou não dá nada ou dá desastre. Infelizmente, foi o que aconteceu com a Sinaga.

Estamos em final de 2017, o passivo estimado é superior a 25 milhões de euros, a produção de açúcar foi parada e 44 trabalhadores vão ser dispensados.

Responsabilidades deste desastre? Morrerá solteira, como sempre!

O Governo colocou à frente da Sinaga, em 2010, um conselho de administração, com dois administradores executivos e outro não executivo.

Em 2016, a situação da empresa já estava em queda livre, os prejuízos acumulados não paravam de aumentar, o passivo também, os trabalhadores não recebiam aumentos porque a empresa tinha prejuízo. Que faz, então, o Governo?

Simples: os custos com a administração, de 103 mil euros por ano, em 2015, passam para 163 mil euros, em 2016. Mais de 63.000 euros, por ano, para a administração administrar…rigorosamente…subentendia-se…Ou não?!

Hum…talvez não! O administrador não executivo passou a executivo, o que não deixa de ser uma extraordinária medida de gestão. A administração que piorou todos os índices da empresa é premiada com mais um administrador, com a conivência do Governo!

Na Assembleia Regional, o meu colega de bancada chamou a esta medida de gestão - "Tachos". Não podia estar mais de acordo.

Agora, é anunciado o fecho parcelar da empresa, que fica só a embalar açúcar, com 28 trabalhadores. Mas, para uma empresa desta dimensão, mantêm-se os três administradores. Ou seja, o rácio é de 1 administrador para 9 trabalhadores… Que nome poderemos dar a isto?

Aos trabalhadores dispensados é, para já, garantido um ano de trabalho, nos serviços públicos e, depois… logo se vê.

Nota-se bem a diferença de como o Governo trata empresários e administradores, em contraponto com a forma como desrespeita os trabalhadores.

É legal? É. É imoral? É. É escandaloso? É. E, então, o que se faz? Nada!