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Tempo trabalhado, é tempo contado!

O anúncio feito pelo Presidente do Governo Regional dos Açores de que todo o tempo de serviço congelado aos professores nos Açores seria contado e que iniciaria um processo negocial com os sindicatos foi recebido, naturalmente, com alegria e comemorado como uma grande vitória dos professores e professoras.

É efetivamente uma vitória dos professores, e é também uma clara demonstração de que vale a pena lutar por aquilo que é justo, de que a perseverança e a união podem dar frutos e de que, mesmo quando do outro lado se encontra um obstáculo aparentemente intransponível, o caminho é possível!

Durante um ano os professores nos Açores estiveram perante um obstáculo aparentemente intransponível: a intransigência do Governo Regional. Ouviram os professores, ouvimos todos e todas nós, durante um ano, do Presidente do Governo e do Secretário Regional da Educação e Cultura a lengalenga “aplicaremos nos Açores a solução que for encontrada a nível nacional para o tempo de serviço dos professores”.

Este mantra, que na prática significava abdicar de governar para não criar problemas ao primeiro-ministro, António Costa, foi a barreira inamovível com que se depararam os professores.

Ao longo deste ano foram muitas as greves, foi imenso o esforço que os professores despenderam. Tudo isto significou ainda um ambiente conturbado nas escolas que poderia ter sido ter sido evitado se tivesse havido da parte do Governo Regional o mínimo de bom senso e respeito pelos professores.

E não foi por falta de propostas que esta decisão não foi tomada há mais tempo. O Bloco de Esquerda, no orçamento para 2018, tinha apresentado uma proposta de alteração que reconhecia todo o tempo de serviço e exigia a abertura de um processo negocial com os sindicatos para se definir o prazo e o modo de contagem desse tempo de serviço. Todas estas propostas esbarraram na intransigência absurda do Governo Regional e do Partido Socialista.

Tudo isto para, agora, um ano depois, com o pretexto esfarrapado da existência de “maiorias negativas” na Assembleia da República vir o Governo Regional finalmente reconhecer o que é justo e que não podia deixar de reconhecer: Tempo trabalhado, é tempo contado!

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