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Três intervenientes - um triângulo que não se entende

Não tendo, ainda, caído no esquecimento a célebre afirmação do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, “O PREIT vale 0”, acerca da compensação de 167 milhões de euros anuais, durante 15 anos, para os trabalhos de descontaminação, na Terceira,  eis que, mais uma vez, o referido ministro revela o seu “carinho” especial pelos Açores.

Após, o Sr. Presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, ter reconhecido no parlamento dos Açores que a relação bilateral com os Estados Unidos é "profundamente desequilibrada em prejuízo" de Portugal "e, por isso, é que deve ser alterada", Augusto dos Santos Silva não demora muito tempo para enviar um recado, dizendo, na Assembleia da República, que o Governo português não vai tomar qualquer iniciativa para a revisão do Acordo Bilateral de Cooperação e Defesa de Portugal com os Estados Unidos.

Esta afirmação foi o mote para que Vasco Cordeiro protagonizasse um momento, cuja sua resposta, bastante utilizada pelas nossas bandas, não se cansa de ser repetida. Em resposta aos órgãos de comunicação social, às questões colocadas pelos mesmos, o Presidente foi conciso: “o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros está cegando”.

Como é evidente, essa resposta deu manchete nos jornais e abertura de noticias. Deduz-se que não terá sido bem recebida pelos lados do Largo do Rato...

Qual não é o meu espanto quando hoje, 7 de Março, no seu habitual “Prestação de Contas”, num jornal regional, a Sra. Deputada Lara Martinho, eleita pelos Açores à Assembleia da República – pelos açorianos e açorianas que esperam o seu desempenho num trabalho profícuo pela sua/nossa região, tenha simplesmente feito nota da questão colocada e da resposta do Sr. Ministro, já com um tom de “não posso dizer que o PREIT vale zero, ou que não há espaço para revisão do Acordo. Fiquem-se para aí que nós estamos bem”, usa da diplomacia para dizer que fica para o futuro. Só não se sabe é quanto tempo temos até chegar esse futuro.

Por parte da Sra. Deputada, nada! Nem uma posição de desagrado, nem um lamento, nada... coloca-se a pergunta – até porque dá jeito tentar minimizar o impacto do manifesto desinteresse de Augusto Santos Silva, nesta questão.

Da mesma cor política eis um exemplo de desnorte. Pede-se coerência. Afinem a bitola nesse triângulo.