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Um governo que não defende as pessoas

O encerramento da fábrica da COFACO na vila da Madalena, na ilha do Pico é, em primeiro lugar, uma machadada, sem piedade, na vida de 180 trabalhadoras e trabalhadores. A eles devemos toda a solidariedade e tudo fazer para atenuar as consequências da situação de desemprego a que agora são submetidos.

Mas não podemos falar deste anunciado e há muito previsto despedimento coletivo sem analisar a atitude desta empresa. A COFACO revela, com este despedimento coletivo, a mais profunda insensibilidade social e desprezo pelos valor do trabalho e, principalmente, pelas pessoas que, durante tantos anos, deram tudo o que tinham para o desenvolvimento daquela unidade fabril. Feitas as contas, a COFACO usou os anos de trabalho de tanta gente apenas como um meio de acumular lucros a troco do salário mínimo, ou pouco mais do que isso.

Porque a empresa quer construir uma nova fábrica - pelo menos é o que diz o Governo Regional - apaga todo o passado de trabalho, as carreiras, de 180 pessoas e manda-as para o pesadelo do desemprego apenas para ir sacar uns milhões à Região.

É esta a atitude da COFACO – despedir 180 pessoas apenas para ir buscar subsídios públicos, em vez de manter os trabalhadores enquanto constrói a nova fábrica, nem que fosse em regime de lay-off. Ou será que não haverá fábrica nenhuma e este anúncio é apenas para tentar que os ânimos não se incendeiem dando a notícia do encerramento definitivo da empresa no Pico aos poucos, mantendo uma vã esperança de que alguns dos trabalhadores sejam, um dia, reintegrados. Qualquer das hipóteses é indecente, é imoral e é inaceitável.

Falamos de uma empresa que, ao longo dos anos, tem beneficiado de muitos milhões de euros de apoios públicos. Afinal, estes apoios serviram apenas para acumular chorudos lucros e não para criar e manter emprego digno nos Açores, contribuindo para o desenvolvimento da nossa região.

Igualmente inaceitável tem sido a postura do Governo Regional neste processo. Desde maio de 2017 que há alertas públicos do possível encerramento da COFACO no Pico. O Governo Regional, nessa altura, disse que esse risco não existia e que a empresa iria construir uma nova fábrica. Afinal o Governo não sabia do que falava ou então mentiu!

Não fosse suficiente esta atitude, o Governo Regional tem sido o verdadeiro porta-voz da COFACO. Na voz do Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, o governo desdobra-se em declarações públicas procurando fazer um malabarismo trapalhão para defender a empresa e as suas opções em vez de defender os trabalhadores e os seus direitos.

Um governo que não defende as pessoas da rapina desta empresa, é um governo que não defende os Açores.