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Uma companhia profissional de teatro. Porque não?

O BE/A apresentou uma iniciativa legislativa para que seja constituída uma companhia profissional de teatro, nos Açores, sedeada na ilha Terceira. Uma proposta ousada, reconheço.

É, também, uma proposta necessária, que crescentemente, é reivindicada por cada vez mais setores e, em particular, por protagonistas e representantes do nosso teatro “amador”.

O teatro, como qualquer atividade que pretenda atingir picos de excelência, exige uma dedicação exaustiva, que passa por diversas fases: escolha de textos, a concepção da representação, a escolha dos papéis e seus protagonistas, a permissão para que as personagens se entranhem, a encenação, entre outros., nunca esquecendo as tarefas técnicas como o som e a luz, por exemplo, que têm um papel preponderante, no contexto do espectáculo.

Na nossa região, espalhados pelas ilhas – e algumas ilhas com mais do que um – existem vários grupos de teatro, que apresentam os seus trabalhos com regularidade. São-lhes merecidas todas as palmas, não só pela parte final do projeto – apresentação em palco -, como também por tudo o que estas pessoas abdicam da sua vida pessoal para que sejam dinamizados estes espetáculos, cuja compensação é a anuência do público.

Vivificar, ainda mais, este movimento e alargar o gosto pelo teatro e o seu exercício, a mais públicos, são propósitos desta iniciativa, que pretende estabelecer-se como um verdadeiro pólo de desenvolvimento cultural, fomentando esta arte nas crianças e jovens, com um reportório adequado a estas faixas etárias.

Pretende-se a formação descentralizada a grupos amadores e a pessoas individualmente; levar o teatro profissional a todas as ilhas, de forma sistemática, potenciando o intercâmbio com outras companhias de fora da região, levando aos açorianos e açorianas  o acesso a esta forma de cultura,  a que têm direito.

 Saliento a obrigatoriedade, de no seu reportório, esta companhia dar particular enfoque à literatura de autores e autoras originais dos Açores, cuja qualidade tem reconhecimento aos  níveis nacional e internacional. Sem dúvidas, um enorme património literário que não podemos permitir que não esteja ao alcance de todos e todas nós.

O teatro pode e deve ser um meio de excelência na divulgação deste nosso património, quer pela encenação de peças de teatro que as há, quer pelas adaptações de peças da nossa literatura.

 

A construção da açorianidade, como elemento identitário e de união da nossa região arquipelágica, pode e deve ter no teatro um pilar da sua construção.

A concretização de todas estas valências, assumindo, não só a face de uma companhia de teatro, mas também um verdadeiro suporte da nosso desenvolvimento cultural a nível regional, só é possível se tiver um caráter público.

Podemos, como é hábito na nossa região, atabalhoar e fazer as coisas pelo pequenino e pouco transformador, somente para iludir que vamos andando no sentido certo e encenar progressos para benefício imediato de uns poucos.

Mas neste, como noutros campos,  porque não começar a fazer as coisas a sério?