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Uma despedida que não se quer

Descrever a Zuraida é conjugar verbos de ação com um conjunto de adjetivos. Falar da Zu é falar de alegria, de colorido, de luta, de inteligência, de humildade e de muita perseverança.

Pensar a Zuraida é pensar em direitos! É pensar em justiça! É focar o futuro sabendo que o caminho é longo, mas que desistir não faz parte do nosso vocabulário.

Sou muito feliz por ter na minha vida tantos momentos contigo. Para além de toda envolvência politica, temos horas de conversa, de partilha, de interação, de vivências.

Momentos de alegria e também os de tristeza, porque tu, como ninguém, consegues perceber que por trás de um sorriso pode estar escondida a tristeza de uma dúvida, de uma rejeição, de medo, de dor...e, nessa hora tal como nos bons momentos, não largas a mão de ninguém.

Não largaste a minha! Deste-me a mão e o teu ombro! Deste, como sempre o fazes, o melhor de ti.

Desafiaste-me da forma mais subtil que só tu consegues. Entre “meias palavras e meias conversas” levaste-me a fazer o que nunca me ocorreria. Não saber se somos ou não capazes está, por vezes, à distância de que alguém acredite em nós.

Entre ouvir, cantar  e dançar “Casuarina”, temos horas de sofá, onde tu sentada fazias croché e eu deitada...ambas em silêncio, respeitando a calma do momento.

Num dos nossos passeios, disseste-me que já te tinha acontecido de tudo, que só te faltava morrer...

De forma destemida não permites que te impeçam de prosseguir. Contornas e continuas. Eleges a liberdade e nada nem ninguém te detém.

És para mim uma referência, e, és por todas e todos reconhecida como uma mulher combativa, uma voz que se fez ouvir numa altura em que muito era tabu. Foste atrevida e desafiaste decisores políticos. Não desististe e foste eleita. E, embora sem teres escrito o prometido livro, serás muita vez referida, porque deixas muito à nossa região. Não sei se foste tu a escolher os Açores ou os Açores a escolherem-te, mas sei que foi a escolha acertada: uma verdadeira autonomista que muito se bateu para demonstrar que aprofundar a nossa autonomia não era uma utopia.

É-me difícil acreditar! Mas como tu dizes, nos momentos menos bons, “Bora lá beber um copo que amanhã é outro dia, portanto muita calma nesta hora que tudo se resolve.”