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Viva a República!

 

“Começaremos por confessar que nunca fomos políticos de profissão. A política como ela se pratica em Portugal deturpando a pureza do sufrágio, foi sempre aos nossos olhos uma das causas primaciais da degradação dos costumes e da decadência do País...”

(Lisboa, 15 de Abril de 1916 –  Manuel d’Arriaga)

Ao escrever sobre a República teria necessariamente de citar Manuel de Arriaga. Este excerto corresponde ao primeiro parágrafo do capítulo I da obra agora reeditada, graças ao empenho da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta, “Na Primeira Presidência da República Portuguesa – Um rápido relatório”, com “Estudo Introdutório e Notas” da autoria de Drª Joana Gaspar de Freitas e Dr. Luís Bigotte Chorão.

Foi uma apresentação de logística simples, promovida pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores em colaboração com a Associação anteriormente citada. Foi simples, mas com uma apresentação assertiva e acutilante do Prof. Manuel Barreiros, terminando com uma dinâmica de diálogo complementar, muito interessante de seguir, entre os autores do “Estudo Introdutório e Notas”.

Fica-nos, no entanto, o sabor a pouco deste evento que, pela relevância da data – 5 de Outubro - e a relação indissociável com a República do nosso ilustre conterrâneo, seu primeiro Presidente – Manuel de Arriaga – deveria inserir-se na comemoração de efeméride da sua implantação, principalmente num momento em que, de forma cega e na mais reles interpretação de pedantismo político, se elimina o feriado mais simbólico da modernidade social deste País, a República.

Se há quem, no governo, queira vaticinar ao esquecimento o significado da República, terá de haver, no Povo, quem não o deixe.

Cabe-nos, enquanto cidadãos, promover - ou obrigar quem de direito a promover - eventos e comemorar efemérides que, mobilizando as pessoas no estudo do bom que há no nosso passado recente, alavanque uma dinâmica promissora do nosso futuro próximo.

O evento também nos recordou todo o processo em que a sociedade faialense se envolveu para reabilitar a Casa Manuel de Arriaga, o amargo que nos ficou no desfasamento da data da sua inauguração e a angústia que ainda nos assola quanto à sua conclusão, porque como disse um orador, e muito bem, falta a alma poética do pensamento filosófico, democrático e republicano de Manuel de Arriaga que só se concretizará, em ambiência, com a recuperação das zonas de horta, pomar e jardim, como previsto no projeto global e confirmado pelo, então, Presidente do Governo no seu discurso de inauguração.

Relembro que, sobre o assunto, tive a oportunidade, nas páginas deste jornal, de referir que não gostaria de escrever um artigo intitulado “Tarde e a más horas”. Reafirmo que o farei se necessário for. Ainda não é tarde, mas também já não é cedo. O Plano do Governo Regional para 2014 vai, em breve, ser apresentado e discutido. Espero ver, orçamentada neste Plano, a verba que irá fazer face à promessa cujo cumprimento, esse sim, já começa a tardar.