A vida não tem preço porque possui valor — diria Kant —, mas parece ter adquirido um custo proibitivo que a despoja desse mesmo valor. Reivindicar um custo de vida comportável é, no fundo, exigir que a sociedade deixe de tratar os cidadãos como meros agentes de consumo que pagam para respirar. É devolver à política a sua tarefa basilar: assegurar que o custo de viver em sociedade seja a solidariedade mútua, e nunca a humilhação de não conseguir pagar o direito a existir com dignidade.