O paradoxo que envolve a juventude é particularmente cruel. Exige-se-lhe o vigor da mudança, mas castra-se-lhe a ação com o argumento da imaturidade. No entanto, o que vemos nos setores "experientes" é muitas vezes uma imaturidade ética vestida de pragmatismo. A força reacionária que agora emerge aproveita-se precisamente deste vácuo. Ela não oferece experiência, mas sim o simulacro da rutura, servindo-se de figuras que, tendo habitado o sistema, aprenderam a mimetizar o descontentamento popular para proveito próprio. É uma rebeldia de gabinete, que utiliza o comentário rápido, o ódio fácil das redes sociais, o soundbite para evitar qualquer discussão estruturada.