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Intervenções:

  • Permitam-me três notas: grande parte da falta de choque pelo assassinato em si advém da normalização da violência de armas (já houve 81 tiroteios em escolas só este ano); uma grande parte das reações ao suspeito foram no sentido de o tornar um sex symbol; por fim, a sua idolatria como justiceiro demonstra a nossa tendência ao culto do chefe.

  • Sou o indivíduo mais jovem presente nesta sala, sendo inevitável, portanto, falar sobre os jovens, por onde começo:

Opinião:

  • O autor defende que transitámos da "sociedade disciplinar" dos séculos XIX e XX — teorizada por pensadores como Michel Foucault, baseada na coerção, no controlo imunológico e na oposição clara entre o "eu" e o "outro" (o estrangeiro) — para uma "sociedade da produção". Nesta nova matriz, a negatividade do controlo externo é substituída por um excesso de positividade. O indivíduo contemporâneo já não é coagido; é compelido a ser, voluntariamente, o "empresário de si mesmo".

  • O cansaço crónico que se generalizou nas democracias modernas não resulta apenas do volume físico de trabalho, mas da constante perda de espaço para a espontaneidade e para a construção de vínculos comunitários genuínos. 

  • Com divisões assim, não é possível enfrentar esse sistema. Enquanto estivermos quase a esmurrarmo-nos sobre quem recebe 180€ não estamos a discutir sobre como é possível que 12 pessoas tenham mais de metade da riqueza do mundo. Como é possível que haja fome num mundo com tanta riqueza.

  • A exaustão contemporânea tornou-se uma espécie de sintoma coletivo, uma marca de uma sociedade que confunde a hiperatividade com a virtude e a ocupação constante com a relevância cívica. Vivemos mergulhados na ilusão de que a nossa capacidade de intenção e intervenção no mundo se mede pelo número de frentes que conseguimos manter abertas, esquecendo que o ativismo desprovido de tempo para a reflexão se reduz a uma agitação estéril.

  • Há tanto a fazer para melhorar a escola, os estudantes são uma peça chave e quanto mais cedo se aperceberem que a sua ação tem impacto, melhor. Não basta reclamar, é preciso agir.

  • Porque deixam os académicos de ser académicas durante um par de horas dentro de uma sala académica, se o assunto for de gestão? Como é possível que sociólogos, filósofos, historiadores, literatos, linguistas, arqueólogos, geógrafos, comunicólogos e documentalistas que lidam quotidianamente com questões políticas como relações de poder ou democracia nas suas investigações, se esqueçam de tudo isso no exato momento em que esse olhar permitiria transformar realmente o seu mundo?

  • Porque deixam os académicos de ser académicas durante um par de horas dentro de uma sala académica, se o assunto for de gestão? Como é possível que sociólogos, filósofos, historiadores, literatos, linguistas, arqueólogos, geógrafos, comunicólogos e documentalistas que lidam quotidianamente com questões políticas como relações de poder ou democracia nas suas investigações, se esqueçam de tudo isso no exato momento em que esse olhar permitiria transformar realmente o seu mundo?

  • Em Santa Maria, a nossa insularidade e a escala reduzida deveriam ser vantagens para a experimentação democrática, e não desculpas para o conservadorismo institucional. Se não conseguimos implementar mecanismos de participação direta numa comunidade de cinco mil e quinhentas pessoas, onde todos se cruzam na rua, onde o faremos?

  • Em Santa Maria, a nossa insularidade e a escala reduzida deveriam ser vantagens para a experimentação democrática, e não desculpas para o conservadorismo institucional. Se não conseguimos implementar mecanismos de participação direta numa comunidade de cinco mil e quinhentas pessoas, onde todos se cruzam na rua, onde o faremos?

  • O paradoxo que envolve a juventude é particularmente cruel. Exige-se-lhe o vigor da mudança, mas castra-se-lhe a ação com o argumento da imaturidade. No entanto, o que vemos nos setores "experientes" é muitas vezes uma imaturidade ética vestida de pragmatismo. A força reacionária que agora emerge aproveita-se precisamente deste vácuo. Ela não oferece experiência, mas sim o simulacro da rutura, servindo-se de figuras que, tendo habitado o sistema, aprenderam a mimetizar o descontentamento popular para proveito próprio. É uma rebeldia de gabinete, que utiliza o comentário rápido, o ódio fácil das redes sociais, o soundbite para evitar qualquer discussão estruturada.