Quem gere, de facto, os nossos usos tecnológicos? A internet que está omnipresente e é fulcral para tantos propósitos, pode ser um negócio? É preciso falar numa democracia digital?
De facto, a minha grande frustração é mesmo considerarem que tenho interesses pessoais para assumir um compromisso partidário ou eleitoral. Como é possível que estas pessoas que me conhecem minimamente, que sabem o partido no qual milito, consideram que retiro vantagens? Custa a quem cede parte a sua vida pessoal e académica para voluntariamente melhorar a sua comunidade ouvir isto. Mais, custa sentir a imposição da clivagem entre as «pessoas» e os «políticos». A figura do «cidadão» parece não ter lugar, é quem mais tem a ganhar com participar na discussão política quem se exclui.
Só alguém muito ingénuo ou demagogo defenderia ser possível falar em política sem falar em ideologia. Quem se afirma sem ideologia, ou está a ser manipulado ou está a esconder algo. Isto não significa que toda a gente tem o seu rótulo ou caixinha bem definidos, mas sim que existem um conjunto de valores que lhes são fundamentais.
As grandes empresas de IA de Silicon Valley estão a adquirir livros físicos, cortando-lhes as lombadas e triturando as suas páginas após a digitalização para alimentar e treinar os seus sofisticados modelos de linguagem.
Temos de criar espaços sociais, políticos e institucionais que permitam isso mesmo: lugares de diálogo livre, de serenidade crítica e de respeito incondicional pela vida humana, onde a fronteira deixe de ser um pretexto para o ódio e se torne uma plataforma de responsabilidade e de constante construção comunitária.