A política como corrida de cavalos não é somente um sintoma, mas também uma causa moldando a discussão e reflexão no espaço público. São inúmeros os outros sintomas que se tornam causas, justamente por serem esses fenómenos que permitem a manutenção de uma organização societária tão injusta e desigual.
Estas são umas eleições em que o voto útil menos sentido faz, afinal, já basta a segunda volta para votarmos no «menor mal». Podemos votar em quem de facto acreditamos. Isto não é importante numa visão romântica da política, é vital para a democracia que assim seja: votarmos com base no medo de algo não soa nada democrático. É triste que a maior parte dos presidenciáveis opte por tentar manipular o voto útil – tendo uma grande ajuda das sondagens na tentativa de moldar a opinião pública.
Apercebi-me do erro de perceção que podemos ter: estas respostas não são reacionárias, uma postura conservadora, antes um exame crítico. São a bolsa de ar do conhecido para escrutinar o desconhecido. Estamos num constante jogo de resignificação.
Olha, que bela resolução de ano novo: fazermos o possível para mudar esta sociedade que nos esgota.
A greve conseguiu algo verdadeiramente extraordinário: quebrar o monopólio de temas da extrema-direita omnipresentes na esfera pública, como é o caso da imigração.