Porque deixam os académicos de ser académicas durante um par de horas dentro de uma sala académica, se o assunto for de gestão? Como é possível que sociólogos, filósofos, historiadores, literatos, linguistas, arqueólogos, geógrafos, comunicólogos e documentalistas que lidam quotidianamente com questões políticas como relações de poder ou democracia nas suas investigações, se esqueçam de tudo isso no exato momento em que esse olhar permitiria transformar realmente o seu mundo?
Porque deixam os académicos de ser académicas durante um par de horas dentro de uma sala académica, se o assunto for de gestão? Como é possível que sociólogos, filósofos, historiadores, literatos, linguistas, arqueólogos, geógrafos, comunicólogos e documentalistas que lidam quotidianamente com questões políticas como relações de poder ou democracia nas suas investigações, se esqueçam de tudo isso no exato momento em que esse olhar permitiria transformar realmente o seu mundo?
Em Santa Maria, a nossa insularidade e a escala reduzida deveriam ser vantagens para a experimentação democrática, e não desculpas para o conservadorismo institucional. Se não conseguimos implementar mecanismos de participação direta numa comunidade de cinco mil e quinhentas pessoas, onde todos se cruzam na rua, onde o faremos?
Em Santa Maria, a nossa insularidade e a escala reduzida deveriam ser vantagens para a experimentação democrática, e não desculpas para o conservadorismo institucional. Se não conseguimos implementar mecanismos de participação direta numa comunidade de cinco mil e quinhentas pessoas, onde todos se cruzam na rua, onde o faremos?
O paradoxo que envolve a juventude é particularmente cruel. Exige-se-lhe o vigor da mudança, mas castra-se-lhe a ação com o argumento da imaturidade. No entanto, o que vemos nos setores "experientes" é muitas vezes uma imaturidade ética vestida de pragmatismo. A força reacionária que agora emerge aproveita-se precisamente deste vácuo. Ela não oferece experiência, mas sim o simulacro da rutura, servindo-se de figuras que, tendo habitado o sistema, aprenderam a mimetizar o descontentamento popular para proveito próprio. É uma rebeldia de gabinete, que utiliza o comentário rápido, o ódio fácil das redes sociais, o soundbite para evitar qualquer discussão estruturada.