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Intervenções:

  • Permitam-me três notas: grande parte da falta de choque pelo assassinato em si advém da normalização da violência de armas (já houve 81 tiroteios em escolas só este ano); uma grande parte das reações ao suspeito foram no sentido de o tornar um sex symbol; por fim, a sua idolatria como justiceiro demonstra a nossa tendência ao culto do chefe.

  • Sou o indivíduo mais jovem presente nesta sala, sendo inevitável, portanto, falar sobre os jovens, por onde começo:

Opinião:

  • Há dias ocorreu-me uma ideia estranha: e se na disciplina de Português fosse incluído o texto legislativo como um género a ser estudado? Bem sei que o Português é o bode expiatório para mil e um problemas, não obstante, a interpretação que proponho não deve ser encarada meramente da ótica da cidadania, no âmbito da qual esse trabalho talvez fosse possível, antes deve ser entendida como um exercício específico da utilização da língua portuguesa – tal como acontece com o texto jornalístico ou científico.

  • A vida não tem preço porque possui valor — diria Kant —, mas parece ter adquirido um custo proibitivo que a despoja desse mesmo valor. Reivindicar um custo de vida comportável é, no fundo, exigir que a sociedade deixe de tratar os cidadãos como meros agentes de consumo que pagam para respirar. É devolver à política a sua tarefa basilar: assegurar que o custo de viver em sociedade seja a solidariedade mútua, e nunca a humilhação de não conseguir pagar o direito a existir com dignidade.

  • A verdadeira coesão territorial começa no esforço ético de habitar o ponto de vista do outro. Sem este exercício contínuo de descentramento, a discussão política continuará refém de abstrações e soluções padronizadas que ignoram quem vive o quotidiano dos lugares.

  • O conhecimento e a informação permitem diversificar os caminhos para se responder a uma mesma questão – permite-nos uma conceptualização mais complexa, mais possibilidades de relacionar conceitos. E tem de haver intencionalidade, temos de o querer fazer e ser conscientes das escolhas que fazemos. Temos de conseguir argumentar sobre os caminhos trilhados.

  • Cabe a cada partido construir uma visão da sociedade que defende e propor soluções sobre problemas que vão surgindo. A fiscalização é a tentativa de salvaguarda, de defender contra o que poderá estar mal. O ato de fiscalização não é uma posição antagónica, é garantir o máximo benefício para todos.

  • Quem gere, de facto, os nossos usos tecnológicos? A internet que está omnipresente e é fulcral para tantos propósitos, pode ser um negócio? É preciso falar numa democracia digital?

  • De facto, a minha grande frustração é mesmo considerarem que tenho interesses pessoais para assumir um compromisso partidário ou eleitoral. Como é possível que estas pessoas que me conhecem minimamente, que sabem o partido no qual milito, consideram que retiro vantagens? Custa a quem cede parte a sua vida pessoal e académica para voluntariamente melhorar a sua comunidade ouvir isto. Mais, custa sentir a imposição da clivagem entre as «pessoas» e os «políticos». A figura do «cidadão» parece não ter lugar, é quem mais tem a ganhar com participar na discussão política quem se exclui.

  • Só alguém muito ingénuo ou demagogo defenderia ser possível falar em política sem falar em ideologia. Quem se afirma sem ideologia, ou está a ser manipulado ou está a esconder algo. Isto não significa que toda a gente tem o seu rótulo ou caixinha bem definidos, mas sim que existem um conjunto de valores que lhes são fundamentais.

  •  As grandes empresas de IA de Silicon Valley estão a adquirir livros físicos, cortando-lhes as lombadas e triturando as suas páginas após a digitalização para alimentar e treinar os seus sofisticados modelos de linguagem. 

  • Temos de criar espaços sociais, políticos e institucionais que permitam isso mesmo: lugares de diálogo livre, de serenidade crítica e de respeito incondicional pela vida humana, onde a fronteira deixe de ser um pretexto para o ódio e se torne uma plataforma de responsabilidade e de constante construção comunitária.