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Intervenções:

  • Permitam-me três notas: grande parte da falta de choque pelo assassinato em si advém da normalização da violência de armas (já houve 81 tiroteios em escolas só este ano); uma grande parte das reações ao suspeito foram no sentido de o tornar um sex symbol; por fim, a sua idolatria como justiceiro demonstra a nossa tendência ao culto do chefe.

  • Sou o indivíduo mais jovem presente nesta sala, sendo inevitável, portanto, falar sobre os jovens, por onde começo:

Opinião:

  • Cabe a cada partido construir uma visão da sociedade que defende e propor soluções sobre problemas que vão surgindo. A fiscalização é a tentativa de salvaguarda, de defender contra o que poderá estar mal. O ato de fiscalização não é uma posição antagónica, é garantir o máximo benefício para todos.

  • Quem gere, de facto, os nossos usos tecnológicos? A internet que está omnipresente e é fulcral para tantos propósitos, pode ser um negócio? É preciso falar numa democracia digital?

  • De facto, a minha grande frustração é mesmo considerarem que tenho interesses pessoais para assumir um compromisso partidário ou eleitoral. Como é possível que estas pessoas que me conhecem minimamente, que sabem o partido no qual milito, consideram que retiro vantagens? Custa a quem cede parte a sua vida pessoal e académica para voluntariamente melhorar a sua comunidade ouvir isto. Mais, custa sentir a imposição da clivagem entre as «pessoas» e os «políticos». A figura do «cidadão» parece não ter lugar, é quem mais tem a ganhar com participar na discussão política quem se exclui.

  • Só alguém muito ingénuo ou demagogo defenderia ser possível falar em política sem falar em ideologia. Quem se afirma sem ideologia, ou está a ser manipulado ou está a esconder algo. Isto não significa que toda a gente tem o seu rótulo ou caixinha bem definidos, mas sim que existem um conjunto de valores que lhes são fundamentais.

  •  As grandes empresas de IA de Silicon Valley estão a adquirir livros físicos, cortando-lhes as lombadas e triturando as suas páginas após a digitalização para alimentar e treinar os seus sofisticados modelos de linguagem. 

  • Temos de criar espaços sociais, políticos e institucionais que permitam isso mesmo: lugares de diálogo livre, de serenidade crítica e de respeito incondicional pela vida humana, onde a fronteira deixe de ser um pretexto para o ódio e se torne uma plataforma de responsabilidade e de constante construção comunitária.

  • Perante este cenário, o drama dos exames nacionais deixa de ser uma mera aferição de conhecimentos e passa a ser um dispositivo de desumanização pedagógica. Transforma a escola numa linha de montagem e os professores em meros administradores de tarefas cronicamente fatigados. Reduzir a dignidade do trabalho docente a este cumprimento mecânico de tarefas em fins de semana improvisados é abdicar da verdadeira práxis educativa.

  • Este é o momento bonito em que nos devemos aperceber que o mundo real somos nós e as nossas ações do quotidiano. Somos uma complexidade de autonomias e a política, na prática, é a sua gestão. Resta saber se a autonomia do outro está em competição com a nossa ou se uma só existe porque existe a outra. Haja humanidade.

  • Os exames nacionais exigem rigor. Mas o mesmo rigor deve aplicar-se à forma como o Estado prepara as suas reformas e responde quando elas falham. Afinal, a credibilidade das instituições mede-se menos pela ausência de erros do que pela capacidade de os assumir e resolver dignamente.

  • O autor defende que transitámos da "sociedade disciplinar" dos séculos XIX e XX — teorizada por pensadores como Michel Foucault, baseada na coerção, no controlo imunológico e na oposição clara entre o "eu" e o "outro" (o estrangeiro) — para uma "sociedade da produção". Nesta nova matriz, a negatividade do controlo externo é substituída por um excesso de positividade. O indivíduo contemporâneo já não é coagido; é compelido a ser, voluntariamente, o "empresário de si mesmo".