Num mundo com tanto ruído e estímulo, refúgios silenciosos são uma necessidade. São locais de resistência, de terapia. Locais de reencontro. Ao olhar para as nossas ilhas não me parecem faltar lugares assim. Aquilo que acontece é o contrário: parece que se quer imitar a vida apressada e ansiosa de uma cidade.
Se a ótica do rendimento nos ensina que o PIB resulta da soma de salários e excedentes de exploração, a realidade das ruas mostra-nos que este aumento da riqueza tem engordado desproporcionalmente as contas de poucos, em detrimento de quem efetivamente a cria com o seu suor: os trabalhadores
Ouvir o outro pressupõe, antes de mais, reconhecê-lo como um igual. É recusar a tendência contemporânea de tratar o interlocutor como alguém que precisa de ser "explicado", "iluminado" ou "corrigido" por uma autoridade superior. Antes, estimular a reflexão. É por isso que podemos ser progressistas sem ser paternalistas. O paternalismo político e social é a negação da emancipação; é o pressuposto de que o outro é incapaz de gerir a sua própria autonomia. Uma sociedade de iguais não precisa de tutores, precisa de interlocutores.
Um trabalho militante que é o que dá vida à democracia. A democracia é experimental, só existe se for exercida. Posso garantir que essa ação não se resume a rabiscar um papel de tempos a tempos e colocar numa urna. É um trabalho de intervenção cívica, de criação de espaços de discussão e ação. Tornar questões visíveis é vital para dinamizar o espaço pública e a propaganda tem aí um papel (principalmente provocador/incitador).
A política local é a política da escala humana. É o último reduto onde o nome de uma pessoa ainda pesa mais do que o seu número de contribuinte. Dizer que é insignificante é ignorar que a felicidade (ou a falta dela) é quase sempre uma questão de pormenor.