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Intervenções:

  • Permitam-me três notas: grande parte da falta de choque pelo assassinato em si advém da normalização da violência de armas (já houve 81 tiroteios em escolas só este ano); uma grande parte das reações ao suspeito foram no sentido de o tornar um sex symbol; por fim, a sua idolatria como justiceiro demonstra a nossa tendência ao culto do chefe.

  • Sou o indivíduo mais jovem presente nesta sala, sendo inevitável, portanto, falar sobre os jovens, por onde começo:

Opinião:

  • Em Santa Maria, a nossa insularidade e a escala reduzida deveriam ser vantagens para a experimentação democrática, e não desculpas para o conservadorismo institucional. Se não conseguimos implementar mecanismos de participação direta numa comunidade de cinco mil e quinhentas pessoas, onde todos se cruzam na rua, onde o faremos?

  • Em Santa Maria, a nossa insularidade e a escala reduzida deveriam ser vantagens para a experimentação democrática, e não desculpas para o conservadorismo institucional. Se não conseguimos implementar mecanismos de participação direta numa comunidade de cinco mil e quinhentas pessoas, onde todos se cruzam na rua, onde o faremos?

  • O paradoxo que envolve a juventude é particularmente cruel. Exige-se-lhe o vigor da mudança, mas castra-se-lhe a ação com o argumento da imaturidade. No entanto, o que vemos nos setores "experientes" é muitas vezes uma imaturidade ética vestida de pragmatismo. A força reacionária que agora emerge aproveita-se precisamente deste vácuo. Ela não oferece experiência, mas sim o simulacro da rutura, servindo-se de figuras que, tendo habitado o sistema, aprenderam a mimetizar o descontentamento popular para proveito próprio. É uma rebeldia de gabinete, que utiliza o comentário rápido, o ódio fácil das redes sociais, o soundbite para evitar qualquer discussão estruturada.

  • O paradoxo que envolve a juventude é particularmente cruel. Exige-se-lhe o vigor da mudança, mas castra-se-lhe a ação com o argumento da imaturidade. No entanto, o que vemos nos setores "experientes" é muitas vezes uma imaturidade ética vestida de pragmatismo. A força reacionária que agora emerge aproveita-se precisamente deste vácuo. Ela não oferece experiência, mas sim o simulacro da rutura, servindo-se de figuras que, tendo habitado o sistema, aprenderam a mimetizar o descontentamento popular para proveito próprio. É uma rebeldia de gabinete, que utiliza o comentário rápido, o ódio fácil das redes sociais, o soundbite para evitar qualquer discussão estruturada.

  • O paradoxo que envolve a juventude é particularmente cruel. Exige-se-lhe o vigor da mudança, mas castra-se-lhe a ação com o argumento da imaturidade. No entanto, o que vemos nos setores "experientes" é muitas vezes uma imaturidade ética vestida de pragmatismo. A força reacionária que agora emerge aproveita-se precisamente deste vácuo. Ela não oferece experiência, mas sim o simulacro da rutura, servindo-se de figuras que, tendo habitado o sistema, aprenderam a mimetizar o descontentamento popular para proveito próprio. É uma rebeldia de gabinete, que utiliza o comentário rápido, o ódio fácil das redes sociais, o soundbite para evitar qualquer discussão estruturada.

  • Num mundo com tanto ruído e estímulo, refúgios silenciosos são uma necessidade. São locais de resistência, de terapia. Locais de reencontro. Ao olhar para as nossas ilhas não me parecem faltar lugares assim. Aquilo que acontece é o contrário: parece que se quer imitar a vida apressada e ansiosa de uma cidade.

  • Se a ótica do rendimento nos ensina que o PIB resulta da soma de salários e excedentes de exploração, a realidade das ruas mostra-nos que este aumento da riqueza tem engordado desproporcionalmente as contas de poucos, em detrimento de quem efetivamente a cria com o seu suor: os trabalhadores

  • Ouvir o outro pressupõe, antes de mais, reconhecê-lo como um igual. É recusar a tendência contemporânea de tratar o interlocutor como alguém que precisa de ser "explicado", "iluminado" ou "corrigido" por uma autoridade superior. Antes, estimular a reflexão. É por isso que podemos ser progressistas sem ser paternalistas. O paternalismo político e social é a negação da emancipação; é o pressuposto de que o outro é incapaz de gerir a sua própria autonomia. Uma sociedade de iguais não precisa de tutores, precisa de interlocutores.

  • Um trabalho militante que é o que dá vida à democracia. A democracia é experimental, só existe se for exercida. Posso garantir que essa ação não se resume a rabiscar um papel de tempos a tempos e colocar numa urna. É um trabalho de intervenção cívica, de criação de espaços de discussão e ação. Tornar questões visíveis é vital para dinamizar o espaço pública e a propaganda tem aí um papel (principalmente provocador/incitador).

  • A política local é a política da escala humana. É o último reduto onde o nome de uma pessoa ainda pesa mais do que o seu número de contribuinte. Dizer que é insignificante é ignorar que a felicidade (ou a falta dela) é quase sempre uma questão de pormenor.