Os exames nacionais exigem rigor. Mas o mesmo rigor deve aplicar-se à forma como o Estado prepara as suas reformas e responde quando elas falham. Afinal, a credibilidade das instituições mede-se menos pela ausência de erros do que pela capacidade de os assumir e resolver dignamente.
O autor defende que transitámos da "sociedade disciplinar" dos séculos XIX e XX — teorizada por pensadores como Michel Foucault, baseada na coerção, no controlo imunológico e na oposição clara entre o "eu" e o "outro" (o estrangeiro) — para uma "sociedade da produção". Nesta nova matriz, a negatividade do controlo externo é substituída por um excesso de positividade. O indivíduo contemporâneo já não é coagido; é compelido a ser, voluntariamente, o "empresário de si mesmo".
O cansaço crónico que se generalizou nas democracias modernas não resulta apenas do volume físico de trabalho, mas da constante perda de espaço para a espontaneidade e para a construção de vínculos comunitários genuínos.
Com divisões assim, não é possível enfrentar esse sistema. Enquanto estivermos quase a esmurrarmo-nos sobre quem recebe 180€ não estamos a discutir sobre como é possível que 12 pessoas tenham mais de metade da riqueza do mundo. Como é possível que haja fome num mundo com tanta riqueza.
A exaustão contemporânea tornou-se uma espécie de sintoma coletivo, uma marca de uma sociedade que confunde a hiperatividade com a virtude e a ocupação constante com a relevância cívica. Vivemos mergulhados na ilusão de que a nossa capacidade de intenção e intervenção no mundo se mede pelo número de frentes que conseguimos manter abertas, esquecendo que o ativismo desprovido de tempo para a reflexão se reduz a uma agitação estéril.