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A consciencialização que tarda

No passado ano de 2019, a Organização Mundial da Saúde proclamou 2020 como Ano Internacional dos Enfermeiros, tendo sido 12 de maio a data escolhida para assinalar a importância destes/as profissionais.

De todos quadrantes políticos e da população em geral assistiu-se a diversas manifestações de apreço e enaltecimento pelo “elevado profissionalismo e o espírito de missão” – palavras proferidas pelo Sr. Presidente do Governo Regional.

Que este tempo excepcional que vivenciamos, para o qual esta classe se prontificou desde o primeiro momento, sirva para que num futuro se compreendam as suas reivindicações. Que se atente na situação da profissão, na necessidade emergente de uma maior valorização profissional. Esta situação de pandemia demonstrou, à semelhança de outros países, a fragilidade do Serviço Regional de Saúde. Portanto, investir num serviço de saúde público, que ofereça melhores condições de trabalho aos seus profissionais (auxiliares, técnicos/as, enfermeiros/as e médicos/as) é apostar na qualidade da resposta que este sector oferece.

Na mesma data assinalou-se o Dia Mundial da Fibromialgia – doença que se caracteriza por dores crónicas, extrema fadiga, perturbações de sono (entre outros), por não ser visível, é ainda alvo de estigma, facilmente apelidada de “malandrice”. Infelizmente, persiste um profundo desconhecimento acerca desta doença. Por sinal, até ao mês de novembro também era desconhecido pelo Governo Regional, pois a pedido do BE, através de requerimento, de dados relativos à doença na região, foi anunciado, em fevereiro, pela Sra. Secretária Regional da Saúde, a realização de um estudo com o objetivo de “conhecer a dimensão e o impacto global da fibromialgia nos Açores”, referindo que “a nossa ambição é, sobretudo, ajudar as pessoas portadoras de fibromialgia a viverem melhor, com menos dor, menos sofrimento, maior funcionalidade pessoal e laboral, menor estigma” . Entretanto, os/as doentes desesperam por consultas das diferentes especialidades, de forma a terem melhor qualidade de vida. Com isto,  há quem recorra ao privado, quando a resposta tem de ser dada pelo público.

No dia 15 assinalou-se o Dia Internacional da Família que pretende chamar a atenção para a importância da família como núcleo vital da sociedade; para o reforço da mensagem de união, respeito e compreensão para o bom relacionamento entre todos elementos que constituem uma família. Acima de tudo para o amor como elo no relacionamento familiar.

Aproveita-se esta data para relembrar a forma como a dinâmica familiar foi alterada e para a sua atual diversidade. Para tal, existe diversa bibliografia para explicar os diferentes modelos familiares. Destaco “Primeiro cresci no coração”, com texto de Luís Amorim e desenhos de Pedro Rosa, onde a menina negra de nome Lilás descreve a sua família, dois pais de nacionalidade diferentes, as suas experiências, a verdade acerca de como e onde nasceu, a sua adoção...onde a verdadeira mensagem é a do amor!

O Dia Internacional de Combate à Homofobia, Bifobia e Transfobia, no dia 17, pretende criar uma consciência global para a necessidade do combate à homofobia, biofobia e transfobia. Num mundo de respeito pelo outro, celebrar-se-ia o Dia das Pessoas, mas o preconceito, presente na nossa sociedade, e uma tolerância transvestida de cinismo, levam  a que seja necessário assinalar o óbvio: não se trata de tolerar, mas sim de respeitar sem estigmatizar.

No fundo, as datas aqui assinaladas têm um propósito: a consciencialização que tarda.