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Duas formas de combater a pobreza e a exclusão social. Apenas uma solução.

 

 “… a austeridade é uma expressão que nós ouvimos da boca dos políticos como se realmente todos fossem pagar equitativamente, e isso não é verdade. Todo o tipo de medidas que temos tido e vamos ter são medidas que não alteram o padrão da desigualdade e portanto, para mim, infelizmente, o tipo de sociedade, nas suas características principais da repartição do rendimento, que vamos ter depois da crise, vai ser muito igual à que tínhamos tido”.

Dr. Alfredo Bruto da Costa

 Presidente da Comissão Nacional de Justiça e Paz

 

Contrariamente à ideia que os partidos do poder tentam, e têm conseguido fazer passar, tudo, nesta vida, tem alternativa. Da mesma forma se pode encarar o combate à pobreza, dependendo do objetivo a atingir.

Pode-se optar pela alternativa de combater a origem da pobreza, criando condições dignas de trabalho para que as pessoas, por si, se libertem da injustiça social a que estão sujeitas e assegurem as condições económicas e financeiras, não só à sua sobrevivência, mas, também, à sua independência, ao seu acesso ao conhecimento, à formação profissional e à Cultura. É um caminho mais longo que obriga à mudança de atitude de quem terá que lutar para atingir estes objetivos, e é um caminho que contará sempre com a oposição de quem terá que abdicar de privilégios e mordomias indecentes a favor duma mais ampla justiça social.

A segunda alternativa, mais fácil, é a que combate as próprias vítimas da pobreza, enfraquecendo ainda mais a sua capacidade de sobrevivência, relegando as menos protegidas para a exclusão social, diminuindo os apoios à saúde aos reformados e pensionistas para que seja mais curta a sua esperança de vida, e obrigando a população ativa e com mais competências profissionais a emigrar. É o caminho mais curto, o preferido dos partidos que nos governam e representam a mais sanguinária especulação financeira da nossa história. Conduz ao abandono das atividades produtivas primárias, à desertificação do interior, à diminuição demográfica, à recessão económica, à morte anunciada do país.

A quem defende o segundo caminho, não interessam as pessoas, mas, tão-somente, o dinheiro, sinónimo de poder. Dinheiro a curto prazo, sem olhar a meios para atingir fins. Dinheiro à custa da vida e da dignidade das pessoas, dinheiro à custa do empobrecimento generalizado e da maior dependência económica do país. Mas isto não preocupa os grupos dominantes, nem fere a consciência de quem os representa e tanto mentiu para ter um governo, uma maioria e um presidente. Eis-nos perante essa realidade e o seu resultado prático.

Na passada sexta-feira, Pedro Passos Coelho anunciou ao país novas medidas de austeridade. Pobres e ricos são taxados exatamente da mesma forma, continuando a agudizar quer a violência das medidas, quer as diferenças sociais que delas resultam. E se está claro que esta não é a política de que todas e todos os portugueses precisam e anseiam, para o nosso primeiro-ministro “esta história não acaba assim”.

Uma pergunta: algum dia este governo anunciará medidas que visem acabar com os privilégios e mordomias indecentes a favor duma mais ampla justiça social?

Como diz o Dr. Alfredo Costa: “Os ricos estão a rir-se do que está a acontecer no país”.